Meta pretende
lançar 'robôs-chatbots' generativos para atrair usuários
A
Meta, empresa do bilionário Mark Zuckerberg, que também é dona do Facebook e
Instagram, está se preparando para lançar uma série de chatbots de inteligência
artificial (IA) que exibem diferentes personalidades já em setembro, publicou o
Financial Times.
Projetos de protótipos de chatbots que podem ter discussões semelhantes às humanas com os usuários, à medida que a empresa tenta aumentar o envolvimento com suas plataformas de mídia social, de acordo com a Reportagem do Financial Times.
A companhia está até mesmo explorando um chatbot que fala como o ex-presidente norte-americano Abraham Lincoln. Também outro que aconselha sobre opções de viagem no estilo de um surfista. O objetivo desses chatbots será fornecer uma nova função de pesquisa, além de oferecer recomendações.
Uma das personalidades do chatbot seria a de Abraham Lincoln, um dos presidentes dos Estados Unidos – [Imagem: The Independent].
A matéria do Financial Times foi publicada no momento em que os executivos da Meta estão se concentrando em aumentar a retenção do aplicativo baseado em texto threads, depois que o app perdeu mais da metade de seus usuários nas semanas seguintes ao lançamento, em 5 de julho.
A agência Reuters tentou mais detalhes do projeto da Meta mas não teve retorno da empresa de Zuckerberg,
O que é Threads
nova rede social rival do Twitter?
Plataforma, desenvolvida como concorrente do Twitter, já tem 30 milhões de usuários sete horas após lançamento. Perfis de famosos em nova rede social, que já ultrapassa 10 milhões de contas.
Apenas sete horas após ser lançada, a nova rede social do grupo Meta, o Threads, alcançou a marca de 10 milhões de usuários. Criada pela empresa de Mark Zuckerberg, a plataforma tem o objetivo de competir com o Twitter, com layout e funcionamento bem parecidos. A plataforma já está disponível em 100 países, mas ainda não chegou a União Europeia por questões regulatórias.
Qual o
significado de Threads?
A rede, batizada com o nome que significa "tópicos", em português, traz um modelo de interação por meio de textos curtos e conversas públicas. O termo 'threads' se popularizou no Twitter, para definir uma série de comentários — os 'tweets' — conectados por um fio, que se desenrolam sobre um mesmo tema. As similaridades entre as duas redes já surgem no próprio nome da plataforma, que já deixa clara a intenção de Zuckerberg.
Desenvolvida totalmente pela Meta, empresa de tecnologia de Mark Zuckerberg, que também é dona do Facebook e Instagram, tem o intuito de aproveitar o momento de queda do Twitter, sob o comando polêmico de Elon Musk.
Após diversas mudanças na plataforma concorrente, que não agradaram os usuários fiéis ao modelo de conversas públicas e textos curtos, Zuckerberg decidiu criar sua própria versão. O funcionamento da Threads é bastante similar ao Twitter: ela se baseia em postagens de texto com até 500 caracteres. Os usuários ainda podem incluir fotos e vídeos de até 5 minutos.
Como funciona o Threads?
Em um modelo de linha do tempo, o usuário pode acompanhar os comentários curtos de seus amigos, abordando os mais diversos temas, e participar ativamente das conversas. Os perfis podem ser públicos ou privados — nesse último caso, permitindo o acesso aos conteúdo do perfil apenas para seguidores previamente avaliados pelo dono da conta. Além disso, os adeptos da nova plataforma também podem decidir quais pessoas irão responder aos posts.
Como se
pronuncia Threads?
A pronúncia do nome da rede também é uma dúvida comum entre os novos adeptos. "Thredz" é como deve soar a pronúncia. O "TH" é o som feito quando se solta o ar com a ponta da língua tocando nos dentes superiores. Já o "R", que vem logo depois, é pronunciado com a língua enrolada.
O Threads é de graça e, ao menos neste primeiro momento, não tem nenhuma publicidade.
Como entrar no Threads?
Por ser parte do grupo Meta, o perfil no Threads está ligado às demais redes sociais da empresa. É necessário login no Instagram para acessar a nova plataforma.
Como criar conta no Threads?
Passo 1. Após fazer o download no aparelho Android ou iOS, o primeiro passo é criar uma conta usando o usuário e senha do Instagram. Além disso, também é possível importar da rede "mãe" as informações sobre a conta, como a foto de perfil, a descrição e links que estejam associados na descrição.
Passo 2. Após configurar a aparência da sua conta, é a hora de seguir outros usuários. O Threads dá a opção de seguir automaticamente todas as pessoas que você já segue no Instagram e que estão na nova plataforma. Depois disso, é só fazer a primeira participação. Você pode publicar sua primeira thread, comentar ou curtir threads de outros usuários.
Passo 3. O layout atual do aplicativo conta com uma barra na parte inferior da tela, assim como no Instagram. Nela estão cinco símbolos que representam a linha do tempo, a pesquisa, a caixa de texto para novas publicações, as notificações e o perfil do usuário.
Threads x
Twitter
A nova rede social chega com um layout básico, sem muita informação. No entanto, por estar em uma fase inicial, é provável que muitas novidades ainda venham a surgir ao longo do tempo. Pode ser que ela se torne ainda mais integrada com o Instagram, ou mais parecida com o Twitter.
Uma das funcionalidades mais comentadas do Threads é a possibilidade de publicar posts com até 500 caracteres, além de links, galerias de até 10 fotos e vídeos de até cinco minutos. Enquanto isso, usuários gratuitos do Twitter ficam restritos a um limite de 280 caracteres. Já assinantes do Twitter Blue — serviço pago da rede — podem compartilhar textos de até 25 mil caracteres.
Disputa: Na estreia do Threads, Zuckerbeg ironiza Musk e posta seu primeiro tuíte em mais de uma década. Outra diferença é a ausência do painel de assuntos mais comentados, no Twitter chamado de Trending Topics, que foi uma das características que a transformou na potência atual, com a relevância dos assuntos e as famosas hashtags. No Threads é exibido os assuntos mais comentados na rede. A nova rede social informou que pretende lançar esse recurso no futuro.
Na aba de pesquisas do Thread, ao contrário do Twitter, não é possível buscar assuntos ou palavras-chave em publicações. Na nova rede, por enquanto só usuários podem ser encontrados na página. Outra ferramenta inexistente são as conversas privadas, as DMs.
Uma das principais polêmicas do Twitter, após Elon Musk assumir o comando é o Twitter Blue, serviço pago da rede. Para ter uma conta verificada na plataforma, é necessário pagar. No Threads, as contas verificadas são as mesmas do Instagram, logo, uma validação gratuita.
O Threads também não possui Stories, ferramenta característica dos irmãos Instagram e Facebook.
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Morte instantânea sem percepção das vítimas ocupantes do submersível Titan segundo especialista
Imagem: JC Onbline UOL
As última imagens registradas pela tripulação do Titan antes do desaparecimento
De acordo com especialista, os ocupantes do submersível Titan sequer teriam percebido a implosão do veículo. A pressão sobre uma cápsula de pouco mais de 6 metros de comprimento, chamado popularmente de submarino (sem fundamento, já que não o veículo não tinha autonomia de navegação), era enorme em uma profundidade tão grande, fazendo com que a implosão acontecesse em uma fração de milissegundo, de acordo com Aileen Maria Marty, ex-oficial da Marinha e professora de medicina de catástrofes da Universidade Internacional da Flórida.
A especialista afirmou que o cérebro humano não é capaz de entender a situação tão rapidamente. "A coisa toda teria colapsado antes que as pessoas lá dentro percebessem que havia um problema", afirmou a ex-oficial.
Em uma implosão, um objeto colapsa repentinamente se a pressão externa for maior que a interna. O fenômeno ocorre na proporção de forças inversa à de uma explosão. Basta o menor defeito estrutural para desencadear tal catástrofe em uma grande profundidade.
Os ocupantes do Titan morreram, de certa forma, sem saberem que iriam morrer, segundo Marty. "Em última análise, entre as muitas maneiras das quais podemos morrer, essa foi indolor.", disse.
A
Guarda Costeira dos EUA anunciou na quinta-feira (22), após dias de buscas
intensas, que a quase 500 metros da proa do naufrágio do Titanic, fragmentos de
detritos foram encontrados a uma profundidade de cerca de 3.800 metros. Eles
pertencem ao Titan, desaparecido com cinco pessoas a bordo. A Guarda Costeira
falou de uma "implosão catastrófica" que matou os ocupantes do
veículo.
Quem eram os cinco ocupantes do Titan Ocena Gate
Da esquerda para a direita: No alto, empresário britânico, Hamish Harding; o americano Stockton Rush, diretor da OceanGate Expeditions, e piloto da viagem; Paul-Henri Nargeolet, de 77 anos, especialista em mergulho e arqueólogo marítimo; os empresários paquistaneses, Shahzada Dawood, 48 anos, e seu filho Suleman, de 19 anos.
O
vendedor de jatos particulares
Um dos cinco ocupantes do submersível, o empresário britânico Hamish Harding, de 59 anos, estava familiarizado com explorações extremas como a realizada nos destroços do Titanic. Além de suas aventuras, sobre as quais ele contava nas redes sociais, poucos detalhes são conhecidos sobre a carreira e a fortuna do CEO da empresa de vendas de jatos particulares Action Aviation, fundada em 2004.
Formado
em ciências naturais e engenharia química pela Universidade de Cambridge,
Harding viajou ao espaço há um ano a bordo do foguete New Shepard da Blue
Origin, em um voo de dez minutos que marcou a quinta missão tripulada
bem-sucedida da empresa de Jeff Bezos.
Harding
apareceu várias vezes no Guinness Book of Records. Entre suas façanhas, em
março de 2021 ele submergiu com outro explorador, Victor Vescovo, às
profundezas da Fossa das Marianas, a parte mais profunda dos oceanos conhecida
até hoje, a bordo de um submersível de dois lugares. Esta missão foi a mais
longa realizada a tal profundidade (4 horas e 15 minutos) e a com a maior distância
percorrida (4.600 metros).
Ele e a esposa, Linda, tiveram dois filhos. Um deles, Giles, se tornou a pessoa mais jovem a viajar para o Polo Sul aos 12 anos, em 2020, relata o jornal The Times.
O cientista francês
O
francês Paul-Henri Nargeolet, de 77 anos, era especialista em mergulho e
arqueólogo marítimo. Um explorador de águas profundas, ele foi oficial da
Marinha na primeira fase de sua carreira. Ele liderou o grupo de mergulhadores
de remoção de minas em Cherbourg,no noroeste da França, antes de se tornar
piloto de submarino da Marinha Francesa. Mais tarde se dedicou à arqueologia
marítima e escavou vários naufrágios.
Em
1986, foi nomeado chefe de submarinos de intervenção em alto mar no Instituto
Francês de Pesquisa para a Exploração do Mar (Ifremer). Um ano antes, uma
equipe liderada pelo cientista americano Robert Ballard, em colaboração com
Ifremer, havia encontrado os destroços do Titanic.
Já
em 1987, Nargeolet viu destroços do Titanic a bordo do submarino francês
Nautile. Dezenas de mergulhos se seguiram, nos quais várias centenas de objetos
foram encontrados. Os últimos aconteceram em meados de 2021.
Empresário paquistanês e filho
Um
proeminente empresário paquistanês e seu filho também estavam a bordo do
submersível. Eles eram Shahzada Dawood, de 48 anos, vice-presidente do
conglomerado Engro, com sede em Karachi, no sul do Paquistão, e seu filho
Suleman, de 19 anos, ambos cidadãos britânicos. A Engro tinha investimentos em
vários setores de negócios: energia, agricultura, petroquímica e
telecomunicações.
O chefe da expedição, empresário, guia e
capitão
A
quinta pessoa a bordo era o americano Stockton Rush, diretor da OceanGate
Expeditions, empresa organizadora da viagem e que ele fundou em 2009.
A
companhia do homem descrito pela revista Smithsonian como um "inventor
temerário", começou a levar clientes para ver os restos do Titanic a bordo
de seu submersível especialmente construído para isso em 2021. Rush disse que o
a visita ao naufrágio era parte de uma estratégia de marketing enquanto ele
tentava desenvolver inovações para embarcações submersíveis.
Segundo o site de sua empresa, o americano começou a carreira em 1981 como o mais jovem piloto de transporte a jato do mundo, aos 19 anos. Em 1984, se tornou engenheiro de testes de voo em caças F-15 da McDonnell Douglas. Mas nos últimos 20 anos ele se envolveu com várias empresas de tecnologia relacionadas aos mares, incluindo a BlueView Technologies, que fabrica pequenos sistemas de sonar de alta frequência.
'Cai como pedra'!
Produtor de “Os
Simpsons” embarcou três vezes e dá detalhes de viagem em submersível
Foto: Handout /OceanGate Expeditions/AFP
O equipamento foi dado como desaparecido na área onde ocorreu o naufrágio do Titanic, em 1912.
Roteirista e produtor de "Os Simpsons" mergulhou para ver os destroços do Titanic, no ano passado. Mike Reiss, a bordo do mesmo submersível da OceanGate que está desaparecido, contou os detalhes ao The New York Times e ao site TMZ.
Ao
jornal norte-americano, ele afirmou que os passageiros são obrigados a assinar
um termo de responsabilidade que "mencionava
a morte três vezes na primeira página" e que o equipamento "cai como uma pedra por duas horas e
meia."
Mike Reiss, que descreveu a viagem como "muito confortável", também contou que o submersível foi desviado da rota por correntes subaquáticas. De acordo com o roteirista, a bússola estava "agindo de maneira muito estranha" e eles chegaram a ficar a 500 metros de distância de onde deveriam estar.
O produtor classificou o naufrágio como "a maior coisa do mundo", mas fez observações sobre a experiência no fundo do mar: "Você está numa escuridão tão grande, que nem sabe onde vai estar". Reiss comentou que a experiência no submersível provoca uma série de sentimentos. "Você fica assustado, mas ao mesmo tempo muito relaxado e muito animado. é maravilhoso", disse, durante uma entrevista ao TMZ.
Ele
também classificou como "assustador" o processo de volta para a
superfície. "Eles empurram uma
alavanca que libera esses pesos de chumbo e os pesos caem, e então você sobe à
superfície como uma corda […]. Se algo der errado com aquela alavanca, aquele
interruptor, e não liberar os pesos, eu não sei o que você pode fazer. Você
está preso e, obviamente, não pode sair do submarino e fazer isso
manualmente".
O cineasta James Cameron, produtor do Titanic, de 1997 - o segundo filme na história a receber 11 prêmios Óscar, depois de Ben-Hur - mergulhou 33 vezes para ver os destroços do navio gigante. Leia matéria abaixo.
O que aconteceu com o submersível
O
submersível que levava turistas para ver os destroços do Titanic - navio gigante naufragado em 1912, por conta de um choque contra um iceberg, matando 1.500 pessoas - desapareceu no
domingo 18 de junho. O equipamento foi dado como sumido nas águas do oceano Atlântico a cerca de 700
quilômetros ao sul de São João da Terra Nova, capital da província canadense de
Terra Nova e Labrador, a área onde ocorreu o naufrágio do Titanic.
A comunicação com o submersível Titan, de 6,5 metros de comprimento, foi perdida no domingo (18), quase duas horas depois de iniciar a descida em direção aos vestígios do mítico transatlântico, que se encontram a quase 4.000 metros de profundidade.
A
estimativa feita pelas autoridades que trabalharam nas buscas é que o oxigênio
disponível no veículo devia acabar na quinta-feira (22). A Guarda Costeira
dos EUA intensificou a operação de resgate e trabalhou contra o tempo.
Stockton
Rush, CEO da OceanGate, empresa responsável pelo submersível, afirmou em 2021
que "gostaria de ser lembrado como
um homem inovador" e comentou que "quebrou algumas regras".
Na quinta-feira 22, à tarde, a guarda costeira americana encontrou, com a ajuda de uma sonda francesa, destroços do Titan a 500 metros do Titanic, a mais de 4 mil metros de profundidade, destino final da expedição. O submersível colapsou e implodiu, matando os cinco ocupantes.
James Cameron mergulhou 33 vezes para ver destroços do Titanic
Imagem: Tommaso Boddi/Getty Images
O cineasta falou sobre a experiência, em fevereiro, durante uma entrevista à rede norte-americana CBS. "Me sinto muito ligado à história [do Titanic], depois de ter mergulhado 33 vezes no naufrágio. Quanto mais você estuda, mais contagiado pela história do Titanic você fica. Digo sempre como é frágil. Você acha que o entende até se aproximar e ver que tem muito mais complexidade na história", disse.
Cameron defende a comercialização de itens recuperados do navio, mas que a estrutura seja preservada. "Eles precisam financiar essas coleções de alguma forma. Precisam financiar suas viagens ao redor do mundo, colocando-as em exposição. Acho que quando você as vende, e elas vão para um local privado e nunca mais são vistas, ultrapassam o limite."
Imagem: Divulgação/Paramount Pictures
Leonardo DiCaprio e Kate Winslet em 'Titanic'
Imagem: Divulgação/Paramount Pictures
O longa-metragem é um dos mais caros da história do cinema — e o terceiro mais rentável de todos os tempos. O filme marcou a cultura pop com cenas clássicas.
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Gasolina sem petróleo já é fabricada e preços não dependem do combustível fóssil
Gasolina feita sem petróleo
funciona em motores convencionais a combustão e é alternativa viável a carros
elétricos. Com o recente anúncio da nova política de
preços da Petrobras em relação à gasolina, o combustível já começa a ficar mais
barato nas bombas de abastecimento.
Contudo,
o custo da gasolina ao consumidor continua sujeito à cotação internacional do
petróleo com o qual é fabricada no mercado internacional.
Os carros
elétricos são substitutos naturais para veículos movidos por derivados do
petróleo, mas existem alternativas: empresas como a Porsche estão investindo em
uma gasolina sustentável e ecológica. A marca alemã, inclusive, já fabrica no
Chile essa gasolina sem petróleo, também conhecida como e-fuel ou gasolina
sintética.
Uma das
vantagens é que ela dará uma sobrevida aos veículos a combustão, sem gastar uma
gota de petróleo: sua produção utiliza como matéria-prima hidrogênio e o
dióxido de carbono disponível na atmosfera. Além da Porsche, o governo alemão e
marcas como Audi e Bosch têm investido nessa tecnologia.
Fórmula 1 vai adotar e-fuel
Ao mesmo
tempo, a Fórmula 1 avalia a adoção do e-fuel a partir de 2025, quando
deverá entrar o novo regulamento de motores, mantendo a propulsão híbrida já
adotada, porém com o novo combustível e mais eletrificação. Esse seria o
caminho para a mais importante categoria do automobilismo mundial não migrar,
ao menos por ora, para motores totalmente elétricos.
A
expectativa é de que a novidade, quando chegar aos consumidores, garanta a
sobrevida dos motores a combustão interna, seja de forma "pura" ou
com algum nível auxílio elétrico. Hoje, tudo indica que propulsores convencionais
estão com os dias contados por conta dos limites cada vez exigentes dos
governos em relação às emissões de poluentes.
A
gasolina sem petróleo também contribuiria para combater o efeito estufa, que
tem o dióxido de carbono entre seus principais vilões, e, de quebra, encerraria
a dependência de um recurso natural que inevitavelmente irá acabar e tende a
ficar cada vez mais caro.
De acordo
com o engenheiro Everton Lopes, os combustíveis sintéticos têm a
vantagem, como o etanol, de neutralizar na respectiva produção o carbono
resultante de sua queima, além de aproveitar a infraestrutura atual de
abastecimento.
Podem ser
extraídos na forma de gasolina ou diesel e, portanto, não exigem alterações nos
motores que utilizam a versão fóssil desses combustíveis.
Custo de produção ainda é muito alto
A
perspectiva de benefícios econômicos e ambientais proporcionados pela gasolina
sintética é alentadora, porém sua produção ainda é cara ante a gasolina
tradicional, destaca o engenheiro.
O
desafio, afirma, é reduzir o custo da extração do hidrogênio necessário para
fazer a gasolina sintética, a partir de um processo conhecido como eletrólise.
"É a grande a quantidade de eletricidade
utilizada para separar o hidrogênio presente na água. Essa energia deve,
preferencialmente, ser de origem limpa, como solar, eólica ou de hidrelétricas",
pontua Lopes. "O combustível
sintético já era usado pela Alemanha na época da Segunda Guerra Mundial e,
desde então, as pesquisas têm evoluído. Porém, o petróleo ainda é muito mais
fácil e barato de ser obtido e refinado", conclui.
O hidrogênio é a grande aposta de países como a Alemanha para renovar sua matriz energética. Além de servir para sintetizar combustível líquido, o gás também é visto como opção às caras e pesadas baterias de veículos a propulsão elétrica. Por meio das chamadas células de combustível, incorporadas a automóveis, o hidrogênio gera eletricidade para impulsionar as rodas. Modelos como o Toyota Mirai já trazem essa tecnologia e são abastecidos com hidrogênio.
Yahoo Notícias fecha redação no Brasil e deixa de atualizar site
Empresa americana encerrou operações no país e fez cerca de 80 demissões. Já no dia 31 de março. O Yahoo encerrou seu site de notícias no Brasil. A redação no país foi fechada e cerca de 20 jornalistas foram dispensados.
O site tinha notícias de política, economia, esportes, celebridades e
outros temas. Também produzia materiais em vídeo e conteúdos de branded
content. "Por uma decisão
global do grupo Yahoo, o Yahoo Brasil encerrará suas atividades",
escreveu Alessandra Blanco, que era diretora da empresa no país, em uma rede
social. "Agradeço demais ao time
incrível do Yahoo Brasil, valente e criativo até o fim.".
O fechamento foi comunicado aos funcionários
brasileiros no começo de fevereiro. A redação do site
ficava na avenida Brigadeiro Faria Lima, em São Paulo. Foram 80 demissões na
operação do Yahoo no país. Os cortes afetam, além da área editorial,
profissionais de negócios, tecnologia e publicidade.
Criado em 1994 nos Estados Unidos, o Yahoo foi uma
das primeiras gigantes de tecnologia que ganharam milhões de dólares com
serviços prestados na internet. O site começou com um diretório de páginas
online e depois se tornou referência em buscas, antes de o Google dominar o
serviço.
Ainda nos primeiros anos, a empresa investiu na criação de um portal de
notícias e buscou apostar em várias frentes, como provedor de email,
armazenamento de fotos e venda de anúncios direcionados online, distribuídos a
partir do uso de dados de comportamento dos usuários.
A companhia americana mudou de dono duas vezes nos últimos anos. Em
2016, foi comprado pela operadora de telefonia Verizon, por US$ 4,8 bilhões.
Três anos depois, em 2019, o fundo de investimento Apollo Global Management
comprou 90% das ações do Yahoo e assumiu o
controle.
No começo de 2023, a empresa anunciou que cortaria 20% de sua força de
trabalho global, o que representaria cerca de 1.600 pessoas.
Em fevereiro, o CEO Jim Lanzone disse ao site Axios que os cortes vieram
na esteira de uma mudança no setor de publicidade digital,
que teve uma freada no ritmo de crescimento. De acordo
com o Axios, o Yahoo lucrou US$ 8 bilhões em 2022, considerando todas as suas
áreas.
O setor de tecnologia tenta reajustar gastos ao atual cenário econômico,
após forte crescimento durante a pandemia de Covid. Em março, a Meta anunciou o corte de 10 mil
funcionários, apenas quatro meses após ter divulgado a demissão de outros 11
mil. Amazon, Microsoft e Google também fizeram desligamentos de mais de dez mil
empregados neste ano.
Com o fim do site de notícias, o endereço yahoo.com.br passou a exibir
uma barra para fazer buscas, no centro, e um aviso de que a publicação de
conteúdos foi encerrada. O serviço de e-mail segue operante.
Pesquisadores do campo da computação e Inteligência Artificial contestam carta a favor da pausa nas pesquisas da IA
O pedido público de Elon Musk e de centenas de especialistas para que o treinamento de inteligência artificial (IA) generativa seja pausado por seis meses ainda está dando o que falar. O documento, assinado até agora por 5.938 nomes, alerta para o risco do avanço sem controle de sistemas mais poderosos que o GPT-4, capaz de gerar conteúdo a partir de imagens e textos.
A carta é
uma iniciativa do Future of Life Institute, organização sem fins lucrativos
criada em 2014. Ela tem como um de seus consultores externos o próprio
bilionário, que em janeiro de 2015 doou US$ 10 milhões para seus projetos de
pesquisa por meio do Instituto Musk.
O brasileiro
Elionai Moura Cordeiro, estudante de doutorado em Bioinformática na UFRN
(Universidade Federal do Rio Grande do Norte), é um dos profissionais que assinou
a carta pública. Ele acredita que é preciso desenvolver mecanismos legais e
tecnológicos que permitam auditar, prever impactos sociais, remediar ou
minimizar possíveis impactos negativos e, principalmente, identificar os
responsáveis em cada aspecto na cadeia de aplicação da inteligência artificial.
“Vamos pensar num cenário real: é fácil
falar sobre um acidente de trânsito com carro que dirige sozinho, mas é preciso
analisar a situação mais a fundo. A culpa recai sobre a empresa que desenvolveu
o sistema de navegação? Recai sobre o usuário do serviço? Sobre a empresa que
presta serviços de aluguel de veículos automatizados? Não existe legislação
sobre", exemplifica Cordeiro, que também é CEO da Plus3D.app, startup que usa IA para desenvolvimento de biofármacos,
O diretor de marketing
digital Raoni Kirschner Sava também decidiu apoiar a pausa de pesquisas do tipo
com IA. Para ele, é preciso se atentar aos impactos socioeconômicos que podem
acontecer e ter atenção para que a tal evolução não acabe trazendo prejuízos,
como o aumento das diferenças sociais.
"Temos que ter muita atenção em diversos pontos que ainda são obscuros quando falamos de inteligência artificial. Dentre eles poderia dizer que a perda de postos de trabalho, a dependência excessiva dos usuários, a falta de controle que ameaça a privacidade e um possível viés de discriminação. Isso foi predominante para minha decisão", diz Sava.
Mas, afinal, o que diz a carta?
Sistemas de IA com que
competem com a inteligência humana podem representar riscos profundos para a
sociedade e a humanidade. A corrida da IA é precipitada, acirrando a
concorrência pelo rápido lançamento de novos recursos relacionados à tecnologia
sem que haja a articulação e medidas necessárias para comprovar seus impactos.
Empresas lançaram
sistemas de IA "que ninguém - nem
mesmo seus criadores - pode entender, prever ou controlar de forma
confiável". Não estão fazendo um planejamento para as mudanças que a
tecnologia vai causar.
Por esses aspectos, o
Future of Life Institute pede a interrupção "pública e verificável" dos treinamentos de sistemas de IA mais
avançados que o GPT-4 (o lançamento mais recente na categoria) por seis meses.
Esse intervalo seria usado para definir protocolos de segurança e modelos de
governança sobre a tecnologia.
O documento diz ainda que
essa pausa não vai afetar o desenvolvimento de IA em geral.
Quem são os
apoiadores?
Até o momento a carta
aberta recebeu o professores, pesquisadores, empresários de tecnologia, além de
alguns engenheiros de software de empresas como Microsoft e Google, que
investem nos ChatGPT e Bard, respectivamente.
Ela é aberta e está
disponível para qualquer pessoa assinar sem verificação de identidade. Alguns
nomes oficiais que apoiam a apoiam são:
·
Yuval Noah Harari,
escritor, autor de "Sapiens - Uma Breve História da Humanidade"
e outros livros.
·
Steve Wozniak,
cofundador da Apple.
·
Emad Mostaque,
diretor-executivo da Stability AI, desenvolvedora de robôs que usam IA para
criar imagens.
·
Yoshua Bengio,
vencedor da edição de 2018 do Prêmio Turing, que reconhece contribuições à
computação.
·
Jaan Tallinn,
cofundador do Skype.
·
Evan Sharp,
cofundador do Pinterest.
· Stuart Russell, pioneiro em pesquisa sobre IA.
Pesquisadores
contestam carta
Apesar da assinatura de
acadêmicos e pesquisadores independentes, como o historiador Harari e o alguns
profissionais do setor protestaram contra o que consideram uma má interpretação
da discussão, a cientista da computação Timnit Gebru, especializada em ética da
inteligência artificial, escreveu o artigo acadêmico usado pelo Future
of Life Institute como parte do argumento para a pausa da IA. Ela se
diz insatisfeita com a forma com que ele foi usado no texto.
"Eles basicamente dizem o contrário do que dissemos e citamos em nosso artigo", critica. A pesquisadora foi demitida do Google depois de acusar a empresa de censura e racismo.
Emily Bender, outra autora do artigo, também descreve a carta aberta como uma "confusão". Sam Altman, diretor da Open AI, que projetou o ChatGPT, chegou a admitir que tem "um pouco de medo" de que seu algoritmo seja usado para "desinformação em larga escala, ou para ciberataques".
As acadêmicas Gebru e
Bender afirmam, no entanto, que o perigo da IA é "a concentração de poder nas mãos de pessoas, a reprodução de sistemas
de opressão, o dano ao ecossistema da informação".
Já o professor de
psicologia Gary Marcus, signatário da carta, considera em uma contrarresposta
que "os céticos devem emitir um
alarme; não há contradição a esse respeito".
"Nem todos os nossos signatários concordam
conosco cem por cento - tudo bem. O progresso da IA é rápido e está forçando
nossas sociedades a se adaptarem com uma velocidade incrível. Não achamos que
um consenso total sobre todas as questões difíceis seja possível. Estamos
felizes em ver que, apesar de algumas divergências, muitos dos principais
cientistas de IA do mundo assinaram esta carta", diz o Future
of Life Institute em seu site.
Future of Life e a polêmica do
longtermism
A missão divulgada pelo Future of Life Institute
é "afastar tecnologias
transformadoras de riscos extremos e de grande escala para beneficiar a
vida." Criada em 2014, a instituição tem entre seus conselheiros, além
de Elon Musk, Jaan Tallinn, fundador do Skype.
Coincidência ou não, os dois costumam apoiar financeiramente iniciativas voltadas para o longtermism (tradução do inglês que significa longoprazismo ou longtermismo — veja explicação abaixo — , uma posição ética que prioriza a melhoria do futuro a longo prazo. É um conceito importante no altruísmo eficaz e serve como motivação primária para os esforços para reduzir os riscos existenciais para a humanidade em inglês). Simplificando, o conceito envolve a ideia de que se deve priorizar iniciativas que impactarão o futuro de longo prazo, e isso pensando em centenas, milhares e milhões de anos.
A doação de Musk de US$ 10 milhões em 2015,
por exemplo, foi direcionada para projetos de pesquisa da organização que
assegurassem que a inteligência artificial fosse usada para o bem da
humanidade.
Contudo, parte dos adeptos dessa filosofia
são acusados de "fingir" que se importam com os problemas sociais
futuros, para ignorar os atuais, e assim, favorecer um novo cenário no qual
apenas a elite da sociedade poderá crescer financeiramente.
Além disso, eles são acusados de serem
antidemocráticos por permitir que pessoas superricas estejam à frente
da tomada de decisões que são questionáveis moralmente.
Com esse contexto, há uma linha de críticos
que acreditam que Musk e outros ricos do setor estão com esse movimento de
pausar os avanços da IA visando apenas os próprios interesses.
O longoprazismo ou longtermismo
segundo o ChatGPT
Longtermismo é uma visão filosófica e
ética que enfatiza a importância de levar em consideração as consequências e
impactos de longo prazo de nossas ações, decisões e políticas. Baseia-se na
premissa de que o futuro a longo prazo é de grande importância e que temos a
obrigação moral de priorizar o bem-estar e o florescimento das gerações
futuras.
Longtermism abrange vários
princípios-chave:
1. Foco no futuro: o Longtermismo
enfatiza a necessidade de considerar o futuro de longo prazo ao tomar decisões,
em vez de focar apenas em ganhos de curto prazo ou consequências
imediatas. Incentiva pensar além de nossas próprias vidas e tomar ações
que tenham um impacto positivo nas gerações futuras.
2. Consequencialismo: O longo prazo é
consequencialista por natureza, o que significa que prioriza os resultados e as
consequências de nossas ações. Sugere que devemos escolher ações que
maximizem resultados positivos no longo prazo, mesmo que exijam sacrifícios no
curto prazo.
3. Perspectiva global: longo prazo
4. Abordagem interdisciplinar: Longtermism
incentiva uma abordagem interdisciplinar para a resolução de problemas,
reconhecendo que desafios complexos exigem diversas perspectivas e
conhecimentos. Ele promove a colaboração em áreas como ciência,
tecnologia, economia, ética e formulação de políticas para lidar com questões
de longo prazo de forma eficaz.
5. Tomada de decisão baseada em evidências: o Longtermismo
enfatiza a importância de usar evidências e razões para informar a tomada de
decisões. Incentiva o pensamento crítico, a pesquisa empírica e a
disposição para atualizar crenças com base em novas informações, a fim de fazer
escolhas bem informadas que tenham um impacto positivo a longo prazo.
Longtermismo tem implicações para várias áreas, incluindo conservação ambiental, desenvolvimento tecnológico, políticas públicas e ética. Incentiva ações que promovem a sustentabilidade, a justiça intergeracional e o bem-estar das gerações futuras e nos desafia a pensar além de nossas preocupações imediatas e considerar as consequências de longo prazo de nossas escolhas.
Professor de Harvard afirma que inteligência artificial
do ChatGPT ajudará aluno e não substituirá professor
Uma ferramenta de inteligência artificial
capaz de dialogar, escrever textos em diferentes estilos, fazer cálculos e
responder perguntas de modo natural pode ser usada indevidamente por estudantes
para elaborar redações e realizar lições e trabalhos escolares, por exemplo,
burlando o processo de aprendizagem¿ O ChatGPT desde que surgiu, no final de
2022, tem gerado preocupação entre os educadores.
Porém, em vez de ser usado meramente como um oráculo ou vidente, o robô
virtual (chatbot) pode ser empregado de outras maneiras mais inteligentes e se
tornar um aliado no ensino, avalia Seiji Isotani, professor do Instituto de
Computação e de Ciências Matemáticas da Universidade de São Paulo (ICMC-USP),
campus de São Carlos, e professor visitante da Faculdade de Educação da
Universidade Harvard, nos Estados Unidos.
"O ChatGPT tem sido usado
como um espécie de vidente, para dar respostas a perguntas. Essa aplicação é
questionável no processo de ensino e aprendizagem porque destrói algo
fundamental para a criatividade humana que é a tomada de decisões corretas e de
forma consciente. Contudo, essa ferramenta de inteligência artificial pode ser
utilizada como uma geradora de insights, ou seja, de novos caminhos para a
resolução de um problema", disse Isotani durante palestra em um evento
on-line promovido pelo ICMC-USP em fevereiro.
Em vez de pedir ao ChatGPT para resolver e dar a resposta final para um
problema de matemática que não está conseguindo entender, por exemplo, um
estudante de ensino médio pode solicitar ao agente conversacional que explique
o passo a passo para solucioná-lo, o que é fundamental no processo de
ensino-aprendizagem, apontou Isotani.
"O ChatGPT pode ser usado como um oráculo para tentar ajudar e
fornecer o que chamamos de scaffold, ou seja, o suporte para que o aluno
consiga aprender e avançar", explicou o pesquisador, que tem realizado,
com apoio da FAPESP, pesquisas voltadas ao desenvolvimento e aplicação de
técnicas de computação para apoiar e transformar as atividades de ensino e
aprendizagem.
Se mesmo com a ajuda de professores e tutores um aluno não está
conseguindo entender e resolver uma equação matemática, por exemplo, a
ferramenta pode ser aplicada para ajudá-lo por meio de exemplos trabalhados orienta Seiji
Isotani, do ICMC-USP e da Universidade Harvard
Outra possibilidade de aplicação do ChatGPT na educação é como agregador
de conhecimento, indicou o pesquisador. O agente conversacional pode permitir
fazer conexões e ajudar os estudantes a processar a imensa quantidade de
informações disponíveis hoje, ajudando a construir significados.
"Podemos pensar o ChatGPT como um learning companion, ou seja, um
companheiro de aprendizagem ou um tutor do estudante que vai ajudá-lo a
processar as informações e trocar ideias com ele. Dessa forma, ele passa atuar
não mais como um oráculo ou vidente, mas como um parceiro para a construção de
conhecimento", afirmou.
Esses agentes pedagógicos, que são pequenos avatares que interagem com
os estudantes, têm sido alvo de estudos na área de sistemas inteligentes há
mais de três décadas. Com o surgimento do ChatGPT será possível elevá-los a um
novo patamar, estimou Isotani.
O ChatGPT pode pegar a transcrição da fala de uma criança com
dificuldade de aprendizagem e processá-la para um agente pedagógico. Dessa
forma, essa ferramenta pode começar a interagir de forma mais eficiente, com o
intuito de resolver problemas de crianças com discalculia (dificuldade com
atividades relacionadas à matemática) ou alguma deficiência, por exemplo, que
precisam de ajuda no processo de aprendizagem e muitas vezes não dispõem de
suporte em sala de aula ou em casa, defendeu o pesquisador.
"Uma criança com uma deficiência cognitiva grave precisa de ajuda a
todo o momento quando está tentando aprender alguma coisa. E não há recursos
humanos suficientes para ajudar todos esses alunos no tempo que eles precisam.
O ChatGPT pode atuar como um remediador nesse processo", disse Isotani.
O pesquisador pondera que isso não significa que o ChatGPT substituirá o
professor e que os alunos serão dependentes da ferramenta o tempo todo, mas que
poderão recorrer ao agente conversacional sempre que precisarem de alguém para
ajudá-lo.
"Precisamos entender quais são os desafios, os problemas e as
potencialidades do ChatGPT para usá-lo adequadamente no contexto da educação para
começarmos a criar serviços, processar dados e trabalhar com inteligência
artificial para apoiar pais, professores, alunos e gestores educacionais para
conseguirmos viver bem na sociedade do conhecimento"
Modelo generativo
Lançado em novembro de 2022 pela startup OpenIA, o ChatGPT é uma
tecnologia de modelagem de língua baseada em algoritmos de redes neurais
artificiais profundas - modelos que tentam simular o comportamento do cérebro
humano, com unidades de processamento interconectadas em várias camadas, da
mesma forma que os neurônios se conectam por sinapses para aprendermos algo.
O aprendizado por essas redes neurais foi facilitado e impulsionado nos
últimos anos com o surgimento de uma técnica de processamento de linguagem
natural chamada word embeddings, que permite representar numericamente as
palavras, explica à Agência FAPESP Thiago Alexandre Salgueiro Pardo, professor
do ICMC-USP e um dos pesquisadores principais do Centro de Inteligência Artificial (C4AI).
O C4AI é um Centro de Pesquisa em Engenharia (CPE) constituído pela
FAPESP e a IBM na Universidade de São Paulo (USP).
As redes neurais gostam de trabalhar com números. Se dermos uma palavra simbólica, escrita por extenso, elas não sabem muito bem o que fazer com isso. Mas se a palavra for transformada em número elas conseguem processar isso muito bem. E ao transformar palavras em números é possível realizar operações matemáticas sobre elas, afirma Thiago Alexandre Salgueiro Pardo, do ICMC-USP e do C4AI. "Isso causou uma revolução. Todos os sistemas de processamento de linguagem natural melhoraram por causa da representação numérica de texto", complementa o pesquisador.
Outra revolução recente no campo do processamento de linguagem natural foi o desenvolvimento de um novo tipo de rede neural artificial, os chamados grandes modelos de linguagem (LLM). Treinados em conjuntos de dados muito grandes, da ordem de bilhões de textos, esses modelos são capazes de deduzir a palavra que falta para completar uma determinada sentença.
Um dos grandes modelos de linguagem que revolucionaram a área foi o
Bert, lançado em 2018 pelo Google, baseado na representação numérica de um
texto para prever as próximas palavras que estão faltando com base no trecho
anterior. Já no final de 2020, a OpenIA lançou o GPT-3, que gera texto a partir
de representações numéricas, dando origem aos chamados modelos generativos.
"Como um modelo generativo, o ChatGPT, que é, de fato, um sistema
muito inovador, pode gerar informações corretas ou erradas, porque não tem um
filtro", pondera Fábio Cozman, professor da Escola Politécnica da USP e
diretor do C4AI.
Além de produzir informações incorretas e desatualizadas, uma vez que a
base de dados usada para treiná-lo vai até 2021, o ChatGPT também pode produzir
e contribuir para difundir conteúdos danosos e inapropriados, estimular o
plágio e outras infrações éticas, aponta Fernando Santos Osório, professor do
ICMC-USP e membro do comitê gestor do C4AI.
"O ChatGPT é uma ótima ferramenta do ponto de vista linguístico,
mas peca muito em relação a sistemas de representação de conhecimento e
apresenta alguns problemas muito sérios que têm de ser discutidos", avalia
Osório.
"O Google também pode fornecer informações incorretas, perigosas e
desatualizadas, mas aponta quais as fontes, a reputação delas e permite que o
usuário possa avaliá-las e fazer fact-checking. O ChatGPT não", compara.
Processamento de linguagem natural em português
A fim de possibilitar o treinamento de modelos de linguagem semelhantes
ao GPT-3 e elevar o nível de desempenho no processamento computacional de
linguagem natural em português do Brasil, os pesquisadores vinculados ao C4AI
desenvolveram e disponibilizaram nos últimos dois anos grandes conjuntos de
dados.
Os datasets contêm textos de fontes diversas, minuciosamente anotados
por estudantes de linguística, bem como gravações da língua portuguesa de
diversas regiões do Brasil.
Um dos conjuntos de dados, batizado de CORAA, contém mais de 260 horas
de gravações de falas transcritas em língua portuguesa, de diversas regiões do
Brasil, provenientes de quatro conjuntos de dados preexistentes - agora
auditados pelos alunos da universidade. A multidiversidade do conteúdo
disponibilizado pelo CORAA oferece, por exemplo, maior diversidade regional na
criação de futuros aplicativos de conversação, respeitando sotaques, culturas e
costumes locais. O objetivo é chegar a 600 horas de gravação na próxima versão.
Um segundo conjunto de dados, nomeado Carolina, contém informações sobre
mais de 600 milhões de palavras e termos em português, anotados por tipologia e
origem, oferecendo um amplo leque de detalhes sobre a etimologia para o
treinamento de grandes modelos de processamento de linguagem natural.
"Esses conjuntos de dados em português são públicos e estão
disponíveis para qualquer interessado, como universidades, empresas e
startups", disse Claudio Pinhanez, gerente de pesquisa em Inteligência
Conversacional da IBM Research Brasil e vice-diretor do C4AI, em um evento
realizado em fevereiro no Inovabra, em São Paulo.
"Ninguém vai investir em processamento de linguagem natural em
português se não for o Brasil. Temos de ter o mesmo tipo de infraestrutura em
inteligência artificial existente em países como os Estados Unidos e a China
para podermos fazer processamento de fala, jurídico e de notícias em português,
entre outras diversas aplicações", afirmou.
Os pesquisadores do Centro iniciaram em 2022 um projeto voltado a
empregar técnicas ultramodernas de inteligência artificial para auxiliar no
processamento de línguas indígenas.
"Estamos estabelecendo agora parcerias com algumas comunidades indígenas em São Paulo, principalmente da etnia guarani, que é a língua indígena mais falada na região. Mas pretendemos futuramente expandir para outras etnias da Amazônia", disse Pinhanez.


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