Afinal,
horário de verão vai voltar ou não?
Horário de verão está suspenso no Brasil desde 2019 e empresários do setor de bares e restaurantes pedem sua retomada em 2023.
Não utilizado pelo governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, o horário de verão voltou a ser assunto próximo do mês que normalmente teria início: outubro. Neste primeiro ano do mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, setores da economia, como o comércio, pedem a volta da medida, enquanto o Ministério de Minas e Energia sinaliza que a inciativa não deverá ser retomada em 2023.
O
horário de verão adianta o relógio em uma hora com o objetivo de aproveitar o
maior período de luz solar durante a época mais quente do ano e, assim, poupar
energia elétrica. Contudo, hoje ele divide opiniões.
O que o governo federal alega para não retomar o horário de verão.
Até
o momento, o MME (Ministério de Minas e Energia) diz não haver necessidade de
implementação do horário de verão no Brasil neste ano. "Em virtude do planejamento seguro implantado pelo ministério
desde os primeiros meses do governo, os dados não apontam, até o momento, para
nenhuma necessidade de implementação do horário de verão", diz nota do
ministério.
No ano passado, logo após ser eleito, o presidente Lula utilizou as redes sociais para questionar a população sobre a volta do mecanismo. Ele abriu uma enquete e perguntou: "O que vocês acham da volta do horário de verão?".
O
"sim" teve 66,2% dos votos na enquete do presidente, contra 33,8% de
pessoas contrárias ao horário de verão e que votaram "não".
Por que bares e
restaurantes querem volta do horário de verão
A
Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes) pediu ao governo
federal a volta do horário de verão. A associação alega que a medida, caso seja
retomada, geraria crescimento no faturamento entre 10% e 15%.
"No
momento em que o setor ainda se recupera dos prejuízos causados pela pandemia,
a implementação da medida beneficiaria um setor que gera renda direta para mais
de 7 milhões de brasileiros e tem cerca de 1,5 milhão de empreendimentos no
país".
Associação
Brasileira de Bares e Restaurantes
A
associação acrescenta que o horário de verão movimentaria outros setores da
economia, principalmente o comércio e o turismo, "uma vez que os turistas
tendem a aproveitar melhor os destinos, estendendo suas atividades até mais
tarde".
O
retorno do horário de verão proporcionaria mais tempo de luz natural durante os
dias, o que favorece o consumo e a frequência de clientes nos estabelecimentos,
além de trazer mais movimento e segurança às cidades de um modo geral",
diz Paulo Solmucci, presidente da Abrasel.
A história do
horário de verão
O
horário de verão foi instituído no Brasil em 1931 pelo então presidente Getúlio
Vargas. A partir de 1967, deixou de ser adotado e foi retomado apenas na década
de 1980, devido a problemas de produção de energia nas hidrelétricas. Na época,
não era padronizado e variava em duração e data todos os ano.
A
iniciativa foi regulamentada somente em 2008 durante o governo Lula, quando se
tornou permanente, adotada em todos os verões. Contudo, mudanças nos hábitos do
consumidor e avanço da tecnologia reduziram a relevância da economia de energia
ao longo dos anos.
O horário de verão era aplicado em 10 estados mais o Distrito Federal: Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Não é invenção
brasileira: é adotado por vários países e regiões do mundo
A ideia original é do político e cientista norte-americano Benjamim Franklin, no ano de 1784, e foi inicialmente adotada somente no início do século 20, durante a Primeira Guerra Mundial, pela Alemanha, país que precisava economizar os gastos com carvão mineral.
Até 2050 todas as crianças do mundo estarão expostas a alta frequência de ondas de calor
Ambientalistas acusam Brasil de
bloquear negociação mas governo nega
Peixe carrega sacola plástica no
mar profundo.
(Imagem: iStock)
O governo brasileiro negou que esteja impedindo a
negociação e insiste que quer, inclusive, um tratado vinculante, com metas
ambiciosas e prazos. Mas é acusado por ambientalistas e ongs de estar
contribuindo para bloquear a negociação de um tratado global para erradicação
da poluição plástica.
O debate foi
iniciado no final de maio, em Paris, num esforço para reduzir o impacto do
produto e que deixa um lixo plástico avaliado em 350 milhões de toneladas.
Segundo as
autoridades brasileiras, é o país quem está tentando encontrar um consenso para
permitir que a negociação siga e fazer uma ponte entre as posições das nações
ricas e emergentes. Para alguns ambientalistas, porém, o Brasil assumiu uma
posição que teria criado problemas para começar o processo. Arábia Saudita e
Rússia também geraram obstáculos.
Tudo começou
quando o Peru e Senegal, apoiados pela Europa, apresentaram um projeto no qual
se estabelecia as regras de procedimento de como as negociações devem ocorrer
pelos próximos anos. Nela, esses países sugeriram que decisões fossem adotadas
quando mais de dois terços dos governos estivessem de acordo.
O Brasil, porém,
apoia a ideia da Índia. Nova Déli quer que todas as decisões sigam os padrões
da ONU e que sejam aprovadas por consenso.
O temor do
governo brasileiro é de que, se a regra dos dois terços vingar, um acordo final
pode existir sem que os maiores poluidores do mundo sequer participem.
Mas a saída para
esse impasse seria a de deixar as duas opções - consenso ou dois terços - e
seguir com o debate sobre substância. E só depois tentar resolver esse impasse.
Mas a iniciativa
foi interpretada de outra forma por algumas ongs, entre eles a Toxisphera
Associação de Saúde Ambiental,; GroundWork (África do Sul) e CIEL (Center for
International Environmental Law). Elas entendem que a posição do Brasil
em Paris "aumenta a diluição do
protagonismo do Brasil na agenda ambiental global".
Ao citar
questões procedimentais para impedir o debate, o que ativistas alertam é que o
Brasil também forneceu argumentos aos países com posições mais duras. Para
esses ambientalistas, o mecanismo de tomada de decisão por consenso na
conferência não é democrático, já que na prática concede poder de veto a cada
pais permitindo que um único governo bloqueie decisões que poderiam
proporcionar o avanço das politicas de combate à poluição plástica.
Como resultado,
o primeiro dia do evento - de apenas cinco dias - foi dedicado exclusivamente
ao debate sobre o bloqueio desses países. "Um governo que foi eleito com o apoio do movimento ambientalista e dos
movimentos sociais e que agora reafirma sua contradição histórica de um governo
que desapontou os movimentos ambientais em seus primeiros mandatos e que mais
uma vez se mostra desconectado com a agenda ambiental", afirmou Ana
Rocha, diretora global do Programa de Plásticos da GAIA (Global
Alliance for Incinerator Alternatives).
A avaliação é de que, com as politicas ambientais quase todas desmontadas no Brasil, por causa dos anos de governo Bolsonaro, ambientalistas esperam que o país assuma um protagonismo na defesa do meio ambiente e da saúde humana em negociações globais.
Empresa produtora de agrotóxicos criou ‘guia’ para enganar Ibama
Syngenta foi fundada na Suíça mas hoje tem liderança global, com sócios chineses e CEO dos Estados Unidos. Conhecida pela produção de agrotóxicos, virou alvo de investigação após seus funcionários se envolverem em um suposto esquema para enganar fiscais do Ibama.
A empresa teria acrescentado um bactericida
altamente poluente em três de seus produtos, em quantidade três vezes superior
ao autorizado pelo órgão ambiental, pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância
Sanitária) e pelo Ministério da Agricultura.
Ao visitar a fábrica da empresa em Paulínia, no
interior de São Paulo, funcionários do Ibama encontraram bilhetes com
orientações de um funcionário para outro sobre a "retirada de todo o
material" de um dos produtos envolvidos na operação. O caso veio à tona
após a anulação de uma multa que tinha sido aplicada.
O que faz a empresa
A Syngenta ganhou esse
nome em 2000, após uma fusão da Novartis e da AstraZeneca. A empresa foi criada quando as
duas companhias resolveram unir seus setores de negócios agroquímicos. Um grupo
suíço, Novartis se mantém no setor farmacêutico. A anglo-sueca AstraZeneca atua
no mesmo meio e ganhou ainda mais destaque durante a pandemia de covid, graças
à sua vacina.
Mesmo vendida para a
China em 2016, por US$ 43 bilhões, o grupo é comandado por um norte-americano. A ChemChina (China National
Chemical Corporation) é dona de 60% das ações da Syngenta, mas seu CEO é o
empresário Erik Fyrwald, nascido nos Estados Unidos, e seu líder financeiro é o
israelense Chen Lichtenstein. Sites chineses afirmam que a liderança
estrangeira é mostra do caráter "internacional" da empresa.
Ela emprega pelo menos 49
mil pessoas em mais de 100 países. Além de produtos para proteger plantações, a
Syngenta se envolve em negócios como a produção de sementes.
A fábrica no interior de
São Paulo fabrica inseticidas, fungicidas, herbicidas e outros itens para a
saúde pública. A unidade
abastece as plantações de todo o Brasil e de outros países da América Latina,
segundo informações publicadas pelo governo do estado, que comemorou a intenção
do grupo de expandir os negócios para outras cidades paulistas. como
Indaiatuba.
Investimento em fábricas
no Brasil foi milionário. Em
2016, a Syngenta anunciou investimentos de US$ 240 milhões em duas fábricas no
Brasil e outra na Suíça — entre elas está o centro de Paulínia, onde teria
acontecido o esquema para burlar a fiscalização do Ibama.
Insumo tóxico e multa bilionária:
a disputa entre Ibama e Syngenta
Às vésperas de fiscalização do Ibama, funcionários
da Syngenta combinaram, em bilhetes, como esconder o uso em excesso de um
insumo altamente poluente, o bronopol.
O caso deu início a uma multa de R$ 1,3 bilhão
aplicada à companhia, anulada recentemente por uma juíza de São Paulo.
O Ibama afirma que a empresa acrescentou o insumo
aos seus produtos em quantidade três vezes superior ao autorizado.
Bilhete encontrado por fiscais, que seria de
autoria de funcionário, dizia: "Foi retirado todo o material da Fifor 1
por conta da visita. O material está na rua 15, no Loguim [nome do depósito de
insumos]. É só falar com o líder lá que ele está sabendo. Todo o material que
está lá vai voltar para a Fifor para dar sequência na formulação de Engeo
Pleno. O caderno de adição de bromo e os cadernos de tratamento de Engeo e
Karate [nome dos outros dois produtos] estão com a Fernanda. A mesma pegou
enquanto a visita estava em nossa área".
O Ibama alega que o bronopol é "muito tóxico
para a vida aquática; perigoso se engolido; perigoso em contato com a pele;
causa sérios danos oculares; causa irritação de pele; e pode causar irritação
respiratória".
A empresa não negou - e até fez acordo com o Ibama
para pagar R$ 4,5 milhões e encerrar o processo administrativo.
Quando o acordo foi enviado para parecer jurídico
da AGU, a recomendação foi de anular a conciliação entre a Syngenta e o Ibama.
Segundo a Procuradoria Federal no Ibama, a forma de
cálculo da multa estava errada: em vez de cobrar por produto fabricado, deveria
ser por lote - e com agravante pelo fato de a empresa ter acrescentado o
produto tóxico com conhecimento de seus efeitos.
Ao todo, 292 lotes teriam sido produzidos de forma
proibida: 258 do Engeo Pleno, 24 do Karate 250 e 10, do Karate 50.
Com a multa de R$ 1,5 milhão por lote, a punição
ficou em R$ 438 milhões; com o adicional pela "reincidência
específica" que multiplicou a multa por três, a punição chegou a R$ 1,3
bilhão.
Em dezembro de 2022, o Ibama
concordou com as contas e aplicou a multa.
A Syngenta ingressou com mandado de segurança na
Justiça Federal de São Paulo contra a nova multa em janeiro deste ano. Na
petição, a empresa alegou que o Ibama não poderia voltar atrás no próprio
acordo.
A juíza Cristiane Faria dos Santos, da 9ª Vara
Cível Federal de São Paulo, deu razão à empresa, anulando a multa de R$ 1,3
bilhão e mantendo o acordo de R$ 4,5 milhões.
A magistrada justificou que o acordo assinado com o
Ibama criou "expectativa de efetiva resolução do conflito" e que o
aumento da multa, de R$ 4,5 milhões para R$ 1,3 bilhão, "eleva
desproporcionalmente o valor de eventuais sanções pecuniárias a serem
suportadas pela empresa".
Continuou a juíza: "Considerando ainda a
relevância econômica e social da atividade empreendida pela demandante, num
notório contexto de carência de insumos para a agricultura brasileira" - o
último trecho, sobre a "carência de insumos", consta também da
petição inicial do mandado de segurança apresentado pela Syngenta.
AGU (Advocacia-Geral da União), que representa o
Ibama no caso, pediu reconsideração da liminar, mas ainda não houve nova
decisão e nem análise do mérito.
Fundo Amazônia
será reiniciado no início do próximo ano, diz ministro norueguês
A Noruega é responsável por mais de 90% das doações do Fundo Amazônia.
Apoiado pela Noruega e criado para auxiliar na
proteção da floresta amazônica, será reiniciado "muito em breve após 1º de
janeiro", disse o ministro do Meio Ambiente da Noruega, Espen Barth Eide,
à agência de notícias. Reuters, na quinta-feira (17).
O
fundo, que contém US$ 542 milhões (R$ 3 bilhões) para proteção da floresta tropical, foi
congelado pelo presidente Jair Bolsonaro. Eide disse que a ajuda deve ser
retomada logo após o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva assumir o cargo,
o que acontecerá em 1º de janeiro de 2023.
Eide
se encontrou com Lula na manhã de quinta-feira (17) durante a cúpula climática da
Organização das Nações Unidas (ONU) COP27, realizada no Egito.
Com R$ 3,6 bi
liberados, Fundo Amazônia deve crescer com saída de Bolsonaro
O aluguel de helicópteros para o Ibama é uma
das despesas bancadas pelo Fundo Amazônia (Imagem: Divulgação/Ibama)
A derrota do presidente Jair
Bolsonaro (PL) em sua campanha pela reeleição, no final de outubro, deverá
provocar uma nova injeção de recursos no Fundo Amazônia. Os governos da Noruega
e da Alemanha, financiadores da iniciativa, informaram que desejam fazer novos
aportes de verba devido à vitória do presidente eleito Luiz Inácio Lula da
Silva (PT).
Até
o momento, os países europeus não detalharam quanto pretendem investir, o que
só deverá ser definido com a retomada das negociações. Mesmo sem esse dinheiro,
porém, o Fundo Amazônia já garantiu o desbloqueio de quase R$ 3,6 bilhões, que
tinham sido depositados antes do governo Bolsonaro e permaneceram congelados ao
longo de toda a gestão.
A
passagem de bastão no Planalto abre a perspectiva não apenas da retomada dos
pagamentos de Noruega e da Alemanha, mas também de uma ampliação do acordo. A
ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva, cotada para voltar ao cargo no novo
governo Lula, sugeriu a John Kerry, enviado especial dos Estados Unidos para o
clima, que o país passe a contribuir com o projeto.
Marina
conversou com Kerry na COP27, a 27ª Conferência das Nações Unidas para o Clima,
no Egito. Ontem, o americano afirmou que está "animado" para
conversar com Lula. Kerry disse que aguarda
a conversa com o petista para definir a futura ajuda dos EUA para ações de
preservação da Amazônia.
O
que é o Fundo Amazônia? Criado em 2008 por meio de um decreto do governo
federal, o fundo foi aberto para financiar ações de controle do desmatamento na
Amazônia Legal, além de fomentar projetos para o uso sustentável dos recursos
da região. Desde o início do funcionamento, o fundo apoiou 102 projetos, dos
quais 47 já foram concluídos.
O
dinheiro fica depositado em uma conta do BNDES (Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social). Até 2019, a verba era gerida por dois
comitês, um orientador e outro técnico, criados para monitorar o uso dos
recursos. Cabia a esses colegiados aprovar novos projetos e firmar os contratos
para a execução de cada um.
No
final daquele ano, contudo, Bolsonaro e o então ministro do Meio Ambiente,
Ricardo Salles, extinguiram os colegiados, com o argumento de que o fundo
precisava de uma "análise mais rigorosa" por apresentar
"indicativos de disfuncionalidades". O governo, no entanto, não
chegou a apontar irregularidades concretas.
Qual
foi a consequência dessa decisão? Sem os comitês, os projetos já em andamento
continuaram a ser financiados, mas não houve assinatura de novos contratos.
Isso levou ao congelamento de uma verba que, no final do ano passado, alcançava
R$ 3,58 bilhões, segundo relatório publicado pelo BNDES em junho de 2022.
Para
a ambientalista Suely Araújo, que presidiu o Ibama no governo do ex-presidente
Michel Temer (MDB) de 2016 a 2018, não havia justificativa razoável para a
extinção dos comitês e a consequente paralisação de novos projetos.
"Isso
é um crime. O Ibama, para fiscalizar o Brasil inteiro, tem à disposição R$ 200
milhões por ano, se chega a isso. E você tem mais de R$ 3 bilhões parados lá.
Isso é uma fortuna para o Meio Ambiente", disse Suely
Araújo.
A
situação só foi revertida há duas semanas, no dia 3 de novembro. A pedido de
três partidos — PT, PSB e PSOL —, que entraram com uma ação em junho de 2020, o
STF (Supremo Tribunal Federal) obrigou a União a reativar o fundo em até 60
dias. A decisão foi tomada por 10 votos a 1, vencido o ministro Nunes Marques,
um dos indicados por Bolsonaro para a Corte.
O
prazo dado pelo Supremo significa, na prática, que a medida poderá ser cumprida
só no governo Lula, em janeiro. Isso porque os 60 dias só começam a contar após
a publicação do acórdão, o que ainda não aconteceu. Questionado, o ministério do Meio Ambiente não se pronunciou se pretende tomar
providências para reativar o fundo, e de que forma.
Que
tipo de iniciativa o fundo financia? Por um lado, a verba é usada em ações de
fiscalização, como o aluguel de caminhonetes e helicópteros para o Ibama
(Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), no
combate a queimadas, por meio da compra de equipamentos e do pagamento a
brigadistas, e no desenvolvimento de sistemas para monitorar a perda de
vegetação.
O
dinheiro também serve para fortalecer a economia local, com o incentivo à
produção de itens como açaí, babaçu, mandioca e castanhas, e financia
iniciativas de turismo e divulgação científica, parte delas em parceria com
estados e municípios.
O
que será financiado com a verba destravada? Ainda não se sabe. Assim que a
determinação do STF for cumprida, os comitês recriados terão que avaliar
novamente os projetos, escolher os contemplados e definir um cronograma
específico para a execução de cada um.
O
mesmo valerá para os novos recursos que vierem a ser aplicados por Noruega,
Alemanha e outros países, segundo explica Adriana Ramos, assessora política do
ISA (Instituto Socioambiental) e especialista em política ambiental.
"Os
países financiadores vão precisar, em primeiro lugar, negociar metas com o novo
governo. Os aportes ao fundo estão associados à queda do
desmatamento, que é aferido a cada ano. Vai ser preciso avaliar as taxas atuais
e verificar que compromissos o Brasil poderá assumir, nos próximos anos, para
derrubar esses números", explica.
Pré-COP27 dá ênfase a esforços para ajudar países pobres a frear aquecimento global
Enchente em Dhaka em 6 de setembro de 2022. Já muito afetado por inundações, Bangladesh sofre ainda mais com a mudança climática | Munir UZ ZAMAN/AFP
Reunião, que acontece na cidade
de Kinshasa, é uma preparação para a Conferência das Nações Unidas sobre
Mudanças Climáticas (COP27).
Ministros
do Meio Ambiente e delegados de 60 países abriram o início do mês (outubro) a pré-COP27 na República Democrática do Congo (RDC). A reunião tem o intuito de
juntar esforços para lutar contra as mudanças climáticas e ajudar os países
pobres a enfrentá-las.
A reunião
informal, que aconteceu na cidade de Kinshasa, é uma preparação para a
Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP27), do dia 6 ao 18
de novembro na cidade egípcia de Sharm el-Sheikh.
Durante
dois dias, os ministros e delegados reunidos na sede do Parlamento discutiram as negociações climáticas acerca dos temas mais comuns, como a adaptação,
mitigação e os programas de financiamento, afim de apresentar os possíveis avanços e bloqueios que poderão ser
enfrentados na COP27.
Uma COP com apelo especial, pois será sediada no continente africano. O
apoio aos países do Hemisfério Sul por parte dos industrializados e
poluentes foi enfatizado desde o início.
Em seu
discurso de abertura, o primeiro-ministro da República Democrática do Congo,
Jean-Michel Sama Lukonde, e sua ministra do Meio Ambiente, Eve Bazaïba,
recordaram que a África é "responsável por apenas 4% das emissões
mundiais" dos gases de efeito estufa e "absorvem mais do que
emitem".
Bazaïba
pediu aos países que honrem seus compromissos financeiros e apoiem os planos
para ajudar a compensar os danos climáticos.
Em 2021,
durante a COP26, em Glasgow, Escócia, a comunidade internacional reafirmou a meta
de conter o aquecimento global em +1,5ºC em comparação à era pré-industrial.
Essa meta
estabelecida em 2015 pelo Acordo de Paris está, no momento, fora do alcance,
pois o planeta já está próximo de +1,2ºC.
Em
Glasgow, os países pobres, menos responsáveis pelo aquecimento porém mais
expostos às suas consequências, exigiram um mecanismo específico para
quantificar as "perdas e danos" provocadas pela mudança climática.
Os países
ricos, maiores emissores de gases do efeito estufa,
rejeitaram a demanda e, em seu lugar, criaram uma forma de diálogo para
discutir "modos de financiamento" até 2024.
(01 a 05 de junho - 2022)Semana Mundial do Meio Ambiente. Clique aqui e inscreva-se no Programa da Nações Unidas para o Meio Ambiente.
Reunião, que acontece na cidade de Kinshasa, é uma preparação para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP27).
Ministros do Meio Ambiente e delegados de 60 países abriram o início do mês (outubro) a pré-COP27 na República Democrática do Congo (RDC). A reunião tem o intuito de juntar esforços para lutar contra as mudanças climáticas e ajudar os países pobres a enfrentá-las.
A reunião informal, que aconteceu na cidade de Kinshasa, é uma preparação para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP27), do dia 6 ao 18 de novembro na cidade egípcia de Sharm el-Sheikh.
Durante dois dias, os ministros e delegados reunidos na sede do Parlamento discutiram as negociações climáticas acerca dos temas mais comuns, como a adaptação, mitigação e os programas de financiamento, afim de apresentar os possíveis avanços e bloqueios que poderão ser enfrentados na COP27.
Uma COP com apelo especial, pois será sediada no continente africano. O
apoio aos países do Hemisfério Sul por parte dos industrializados e
poluentes foi enfatizado desde o início.
Em seu
discurso de abertura, o primeiro-ministro da República Democrática do Congo,
Jean-Michel Sama Lukonde, e sua ministra do Meio Ambiente, Eve Bazaïba,
recordaram que a África é "responsável por apenas 4% das emissões
mundiais" dos gases de efeito estufa e "absorvem mais do que
emitem".
Bazaïba
pediu aos países que honrem seus compromissos financeiros e apoiem os planos
para ajudar a compensar os danos climáticos.
Em 2021,
durante a COP26, em Glasgow, Escócia, a comunidade internacional reafirmou a meta
de conter o aquecimento global em +1,5ºC em comparação à era pré-industrial.
Essa meta
estabelecida em 2015 pelo Acordo de Paris está, no momento, fora do alcance,
pois o planeta já está próximo de +1,2ºC.
Em
Glasgow, os países pobres, menos responsáveis pelo aquecimento porém mais
expostos às suas consequências, exigiram um mecanismo específico para
quantificar as "perdas e danos" provocadas pela mudança climática.
Os países ricos, maiores emissores de gases do efeito estufa, rejeitaram a demanda e, em seu lugar, criaram uma forma de diálogo para discutir "modos de financiamento" até 2024.
Cuidar da Terra é cuidar da nossa casa, que é única.
O que é Yakecan e como são escolhidos os nomes de ciclones no Brasil?
Batismo dos fenômenos naturais é feito a partir de lista prévia elaborada pela Marinha e nomes podem ser reutilizada. Até Ubá será o nome de um deles.
O ciclone Yakecan (matéria exclusiva abaixo) tomou os noticiários brasileiros na última semana. Em tupi-guarani quer dizer "o som dos céus" e o nome foi escolhido pela Marinha e oficializado por meio do Aviso Especial 356/2022, publicado em 16 de maio.
De acordo com a OMM (Organização Meteorológica Mundial), a forma pela qual os ciclones são chamados é regida por práticas regionais e locais, mas que, em geral, seguem um padrão. Cartilhas da entidade explicam que no Atlântico e no hemisfério Sul, os ciclones costumam ser intitulados em ordem alfabética com nomes de homens e mulheres, por exemplo. Não há, porém, obrigatoriedade nessa classificação.
No Brasil, a escolha dos nomes de ciclones se baseia em uma lista em ordem alfabética de termos em tupi-guarani.
De acordo com as Normas da Autoridade Marítima para as Atividades de Meteorologia Marítima 19 (Normam-19), qualquer uma das 15 designações listadas pode ser utilizada e reutilizada.
Um nome só é excluído da lista caso o fenômeno seja considerado pela diretoria do CHM (Centro de Hidrografia da Marinha) como um evento de "significativa relevância".
No mundo, a nomeação de ciclones começou por volta dos anos 1900. Nomes femininos eram adotados para todo tipo de ciclones de forma arbitrária e sem regra. Os nomes masculinos foram inseridos no fim do século 20 e passaram a intercalar com os femininos.
Mais tarde, no mesmo século, meteorologistas decidiram que era hora de melhorar essa classificação e passaram a usar listas em ordem alfabética.
O método facilita não somente a nomeação, mas também a compreensão de quantos outros ciclones ou furacões foram registrados anteriormente naquele mesmo ano.
O ciclone ou furacão cujo nome começa com a letra A é o primeiro do ano vigente, o da letra B, o segundo, e o da letra Y deve ser o 15º, segundo a regra.
Conheça a lista de nomes de ciclones aprovados pela Marinha para uso em qualquer tempo:
1)- Arani (tempo furioso) / 2)- Bapo (chocalho) / 3)- Cari (homem branco) / 4)- Deni (tribo indígena) / 5)- Eçaí (olho pequeno) / 6) - Guará (lobo do cerrado) / 7) - Iba (ruim) / 8)- Jaguar (lobo) / 9 - Kurumí (menino) / 10)- Mani (deusa indígena) /11)- Oquira (broto de folhagem) / 12)- Potira (flor) / 13)- Raoni (grande guerreiro) / 14) - Ubá (canoa indígena) / 15)- Yakecan (o som do céu.
Alguns internautas reclamaram, durante a semana, da homenagem invertida que a Marinha faz com entes naturais destruidores, como ciclones, tufões e furacões cujos nomes de batismos, são associados a termos e tribos indígenas. “Primeiro o Estado brasileiro não protege os índios e as florestas, que são devastados por grileiros, garimpeiros, invasores, bandidos ambientais de todos os naipes. Depois a Marinha os 'honra' nomeando ciclones destruidores, cada vez mais frequentes pelo desmatamento que eles mesmos promovem”, disse J.R.P, de São Paulo.
Entenda a tempestade Yakecan, fenômeno que traz ventos de 120 km/h e até neve no Brasil
Esse sistema de baixa pressão começou como um ciclone extratropical, muito comum, juntamente com uma frente fria no fim de semana. “Mas na segunda-feira (16) se desprendeu dessa frente fria e começou a se movimentar do mar em direção ao continente, com trajetória típica de furacão”, observa Estael Sias, meteorologista da Metsul. Isso não significa que a tempestade vai se tornar um furacão. Em linhas gerais, o ciclone é um sistema de baixa pressão atmosférica em que o vento gira no sentido horário.
"Essa tempestade mescla características de um ciclone extratropical e um tropical. À medida que ela se aproxima do litoral, ela também pode se intensificar, com a pressão em seu centro caindo muito. Por isso é um ciclone anômalo, com características especiais", explica Estael Sias.
A especialista explica que o sistema de baixa pressão começou como um ciclone extratropical, muito comum, junto com uma frente fria no final de semana.
Mas apesar disso, não significa que a tempestade vai se tornar um furacão. Em linhas gerais, o ciclone é um sistema de baixa pressão atmosférica em que o vento gira no sentido horário. É um fenômeno muito abrangente na escala de centenas de quilômetros, ou seja, pode ter o tamanho de um Estado, bem diferente dos tornados, que são pontuais, pode ter ventos de mais de 400 km/h e são visíveis a olho nu. Já os ciclones são vistos em sua totalidade geralmente em imagens do espaço, de satélites, por causa do imenso tamanho.
Segundo Estael, o ciclone extratropical, como o próprio nome diz, se forma fora dos trópicos, nas regiões de latitudes médias, a partir do grande contraste de temperatura. Então é associado à formação de uma frente fria, e quase toda semana tem isso no Atlântico Sul. Ele se forma no continente e avança para o mar.
Já o ciclone com características tropicais, que seria furacão, se forma a partir do calor, de um mar com temperatura da água mais quente, acima de 27°C na superfície. Essa energia desprendida por essa água muito quente vai fazendo a evaporação, baixando a pressão atmosférica naquela região e forma ciclones tropicais ou furacões. E se movimentam do mar em direção ao continente.
"Para que essa tempestade virasse furacão teria de ter vento sustentado acima de 118 km/h, por alguns minutos ou horas de duração, mas nenhum modelo indica isso. Temos apenas rajadas fortes, de até 120 km/h. Além disso, o núcleo teria de ser quente, mas a gente não acredita que haverá essa condição", afirma Estael.
Um fenômeno climático dessas proporções está chamando a atenção porque vai ter impacto diretamente na vida das pessoas nesta semana. Em seu movimento, o ciclone impulsiona a massa de ar polar do polo sul para dentro do continente, derrubando as temperaturas. Então os Estados da região Sul poderão ter marcas negativas em algumas localidades e no Sudeste e Centro-Oeste haverá geada em diversos lugares, inclusive no Distrito Federal;Goiás; Mato Grosso; Mato Grosso do Sul e norte de Minas Gerais, onde historicamente nesta época do ano os termômetros registram números mais elevados.
Com fortes rajadas de ventos, as cidades litorâneas do Sul e Sudeste serão afetadas e é possível a presença de ressacas marítimas em muitas cidades da costa. Na Serra da Mantiqueira os indicadores mostram que poderemos ter temperaturas negativas e algumas cidades do Sul do País verão neve, algo que costuma atrair muitos turistas para essas regiões.
Batismo com nome indígena
A Marinha tem uma lista com nomes em tupi-guarani para batizar os Sistemas Tropicais e Subtropicais Significativos que apareçam no Atlântico Sul. E pela sequência, a tempestade subtropical foi chamada de Yakecan, que significa "o som do céu". É o 15º nome da lista, em ordem alfabética, e a próxima voltará ao primeiro (Arani, que significa "tempo furioso").
Segundo Olivio Bahia, do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), esses ciclones como o atual são mais frequentes do que se imagina. "Existem diversos atuando neste momento no globo terrestre. A Marinha classifica como tempestade subtropical e existe a expectativa de que os ventos se intensifiquem", diz.
O meteorologista reforça que a tempestade já vem provocando grande impacto no litoral brasileiro e a Defesa Civil já está informada sobre as particularidades desse fenômeno.
Apesar de ocorrer em maio, Olivio Bahia reforça que isso não significa que teremos um longo e frio inverno. "Não tem como saber, qualquer coisa que falarem é chute. A gente está com uma massa de ar frio bem intensa. É um período seco no Brasil e as frentes frias devem avançar até o final do inverno", avisa.
Massa polar atingirá grande parte do Brasil nesse ano antes mesmo do inverno chegar
Oficialmente, o inverno começa
no dia 21 de junho no Brasil, mas nesse ano as baixas temperaturas vão ficar bem acentuadas mais cedo.
A
chegada da onda de frio até motivou o surgimento de uma expressão curiosa no
Twitter para se referir às baixas temperaturas previstas como "erupção
polar" — termo que não existe na meteorologia, como explicaram
especialistas consultados pela BBC News Brasil.
A onda
de frio pode chegar até ao Norte do país, mas de forma menos acentuada. A
temperatura mínima prevista pelo Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia)
chega a ficar abaixo dos 10°C em diversas capitais, entre elas Brasília; Belo
Horizonte; Cuiabá; Campo Grande; São Paulo e Florianópolis.
"Maio
é um mês de Outono, ou seja, de transição climática. É normal que a partir da
segunda semana do mês as temperaturas comecem a adquirir características de
inverno", explica o meteorologista Humberto Barbosa, professor do
Instituto de Ciências Atmosféricas da Ufal (Universidade Federal de Alagoas) e
coordenador do Lapis (Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de
Satélites).
"No entanto, neste momento realmente teremos um declínio de
temperatura mais acentuado, abaixo da média que se espera para o período",
explica.
O Inmet (Instituto
Nacional de Meteorologia) aponta para o risco de geada no Sul e Sudeste e de
friagem no Centro-Oeste. E cita até uma pequena possibilidade de neve nas
serras gaúcha e catarinense.
Segundo Barbosa, todos
os modelos de previsão atmosférica têm "captado" que as temperaturas
vão estar mais baixas na próxima semana. Mas sempre há algum nível de incerteza
sobre os eventos mais extremos com vários dias de antecedência.
Até
onde (e quando) vai o frio intenso em 2022?
Oficialmente, o inverno começa no dia 21 de junho no Brasil, mas nesse ano as baixas temperaturas vão ficar bem acentuadas mais cedo.
A chegada da onda de frio até motivou o surgimento de uma expressão curiosa no Twitter para se referir às baixas temperaturas previstas como "erupção polar" — termo que não existe na meteorologia, como explicaram especialistas consultados pela BBC News Brasil.
A onda de frio pode chegar até ao Norte do país, mas de forma menos acentuada. A temperatura mínima prevista pelo Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) chega a ficar abaixo dos 10°C em diversas capitais, entre elas Brasília; Belo Horizonte; Cuiabá; Campo Grande; São Paulo e Florianópolis.
"Maio
é um mês de Outono, ou seja, de transição climática. É normal que a partir da
segunda semana do mês as temperaturas comecem a adquirir características de
inverno", explica o meteorologista Humberto Barbosa, professor do
Instituto de Ciências Atmosféricas da Ufal (Universidade Federal de Alagoas) e
coordenador do Lapis (Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de
Satélites).
"No entanto, neste momento realmente teremos um declínio de
temperatura mais acentuado, abaixo da média que se espera para o período",
explica.
O Inmet (Instituto
Nacional de Meteorologia) aponta para o risco de geada no Sul e Sudeste e de
friagem no Centro-Oeste. E cita até uma pequena possibilidade de neve nas
serras gaúcha e catarinense.
Segundo Barbosa, todos os modelos de previsão atmosférica têm "captado" que as temperaturas vão estar mais baixas na próxima semana. Mas sempre há algum nível de incerteza sobre os eventos mais extremos com vários dias de antecedência.
Até onde (e quando) vai o frio intenso em 2022?
De acordo com a previsão
do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), há condições para que boa parte
dos Estados do Sul tenham temperaturas negativas entre os dias 16 e 20 de maio.
Já nas principais
capitais do Sul e em algumas do Sudeste e Centro-Oeste, a temperatura mínima
pode chegar a menos de 10º C. É o caso de Curitiba (PR); Florianópolis (SC); Porto Alegre (RS); Goiânia (GO;, Campo Grande (MS) e Cuiabá (MT).
Deve fazer frio também
em Belo Horizonte (MG) e São Paulo (SP) — a previsão de mínimas abaixo de 10º C
na capital paulista, aliás, é um dos fatores que mostram como o frio será
atípico.
Já o Rio de Janeiro (RJ)
e Vitória (ES) devem ter mínimas entre 17º C e 22º C. Segundo as previsões, os
fatores que trarão o frio atípico devem ir perdendo força entre 21 e 22 de
maio, quando as temperaturas devem voltar ao que costumam ser neste mês.
Qual o motivo do frio mais acentuado em maio?
O frio atípico das
próximas semanas pode ser explicado pela conjunção de uma série de fatores
climáticos (que afetam o clima, no longo prazo) e de tempo (mais localizados).
Um dos fatores é o La
Niña - fenômeno que acontece quando há resfriamento das águas da região central
do oceano pacífico por pelo menos três meses consecutivos.
"O fenômeno deixa a
atmosfera um pouco mais fria, então cria uma condição favorável para que as
temperaturas despenquem com a entrada de uma frente fria", explica
Barbosa.
O La Niña, no entanto,
não é novidade - ele tem estado presente nos últimos dois anos. O que está acontecendo
no momento é que, neste cenário onde o fenômeno já afeta a atmosfera, vai haver
a passagem de dois fatores meteorológicos pelo continente: o deslocamento de
uma massa de ar polar vinda da Antártida e a passagem de um ciclone
extratropical pelo sul do continente.
A passagem de massas de
ar polar pelo continente é comum - é o que gera as frentes frias e, em geral,
gera menos chuvas no sul e mais chuvas no norte. No entanto, em conjunto com a
passagem do ciclone extratropical, ela cria as condições para um frio mais
intenso.
"O ciclone
extratropical traz um pouco mais de umidade e intensificação dos ventos",
explica Barbosa. "Isso gera risco de geadas no Sul e de friagem na região
Centro-Oeste e em alguns estados do Norte", afirma.
O frio atípico das
próximas semanas pode ser explicado pela conjunção de uma série de fatores
climáticos (que afetam o clima, no longo prazo) e de tempo (mais localizados).
Um dos fatores é o La
Niña - fenômeno que acontece quando há resfriamento das águas da região central
do oceano pacífico por pelo menos três meses consecutivos.
"O fenômeno deixa a
atmosfera um pouco mais fria, então cria uma condição favorável para que as
temperaturas despenquem com a entrada de uma frente fria", explica
Barbosa.
O La Niña, no entanto, não é novidade - ele tem estado presente nos últimos dois anos. O que está acontecendo no momento é que, neste cenário onde o fenômeno já afeta a atmosfera, vai haver a passagem de dois fatores meteorológicos pelo continente: o deslocamento de uma massa de ar polar vinda da Antártida e a passagem de um ciclone extratropical pelo sul do continente.
A passagem de massas de
ar polar pelo continente é comum - é o que gera as frentes frias e, em geral,
gera menos chuvas no sul e mais chuvas no norte. No entanto, em conjunto com a
passagem do ciclone extratropical, ela cria as condições para um frio mais
intenso.
"O ciclone extratropical traz um pouco mais de umidade e intensificação dos ventos", explica Barbosa. "Isso gera risco de geadas no Sul e de friagem na região Centro-Oeste e em alguns estados do Norte", afirma.
A onda de frio tem a ver com as mudanças climáticas?
"Não é possível atribuir
este evento específico - a onda de frio - às mudanças mais amplas no planeta",
explica o climatologista Francisco Eliseu Aquino, do Centro Polar e Climático e
da Geografia da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).
No entanto, os estudos
sobre as mudanças climáticas mostram que elas tendem a aumentar a frequência de
eventos meteorológicos extremos, explica o professor.
E a atual onda de frio é
"coerente com estudos sobre anomalias de eventos frios em um planeta mais
quente", diz ele. O próprio Aquino tem um trabalho publicado sobre o
assunto em que estudou eventos frios no hemisfério sul.
"Não posso dizer
que essa onda de frio é inédita ou atribuí-la diretamente às mudanças
climáticas, mas ela representa o tipo de anomalia que encontramos em uma
cenário em que o planeta está mais quente."
Inverno
"Não é possível atribuir
este evento específico - a onda de frio - às mudanças mais amplas no planeta",
explica o climatologista Francisco Eliseu Aquino, do Centro Polar e Climático e
da Geografia da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).
No entanto, os estudos
sobre as mudanças climáticas mostram que elas tendem a aumentar a frequência de
eventos meteorológicos extremos, explica o professor.
E a atual onda de frio é
"coerente com estudos sobre anomalias de eventos frios em um planeta mais
quente", diz ele. O próprio Aquino tem um trabalho publicado sobre o
assunto em que estudou eventos frios no hemisfério sul.
"Não posso dizer
que essa onda de frio é inédita ou atribuí-la diretamente às mudanças
climáticas, mas ela representa o tipo de anomalia que encontramos em uma
cenário em que o planeta está mais quente."


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