Política 2023


Brasil 

Por que Bolsonaro pode ser preso e quais as investigações em curso?

Risco de prisão: suspeita de peculato. Ao confirmar a um repórter da CNN que incorporou o estojo de joias ao seu acervo pessoal, Bolsonaro pode ser indiciado por se apropriar de bens públicos. 

De vacina a joias. São muitos os problemas judiciais que o ex—presidente pode ter arranjando para seu futuro bem próximo. 

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) amanheceu na quarta-feira (3) com policiais federais na porta de sua casa, em Brasília. Os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão no âmbito de uma investigação sobre a inserção de dados adulterados de vacinação nos sistemas do Ministério da Saúde.

Os indícios são de que a carteira de vacinação do ex-presidente teria sido fraudada para incluir a imunização contra a covid-19, com o objetivo de possibilitar sua entrada nos EUA, no fim do ano passado. O ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, o tenente-coronel Mauro Cid, foi preso na mesma operação.

Os celulares de Bolsonaro e da ex-primeira-dama, Michelle, foram apreendidos, mas ambos se recusaram a informar as senhas para desbloqueio dos aparelhos. O ex-presidente deve depor à Polícia Federal (PF) em breve.

O caso está inserido em uma investigação mais ampla, sobre milícias digitais que estariam atuando contra a democracia. A suspeita é de que esse grupo tenha sido abastecido com dinheiro público. Segundo a PF, as possíveis falsificações dos certificados de vacinação teriam como objetivo "manter coeso o elemento identitário em relação às pautas ideológicas" de Bolsonaro, além de "sustentar o discurso voltado aos ataques à vacinação contra a covid-19".

Sobre este caso, ainda resta saber se haverá denúncias oficiais contra o ex-presidente e a que ele poderá responder, para se saber que tipo de pena seria aplicada em caso de condenação.

Por ora, o ministro-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, afirmou nas suas redes sociais que a PF investiga crimes de:

·                     Infração de medida sanitária preventiva;

·                     Associação criminosa;

·                     Inserção de dados falsos em sistemas de informação;

·                     Corrupção de menores.

Sobre o último item, Bolsonaro voltou a afirmar hoje que ele e a filha caçula, Laura, 12 anos, não tomaram o imunizante contra a doença.

Além desse inquérito, há outras investigações que pesam contra o ex-presidente. Veja quais são:

Joias

A PF também investiga se Bolsonaro atuou para ficar com joias dadas pelo governo da Arábia Saudita. Os itens são de diamantes e são avaliados em R$ 16,5 milhões.

O conjunto com colar, anel, relógio e par de brincos foi retido pela Receita Federal no Aeroporto de Guarulhos em outubro de 2021, quando um militar tentou entrar no país sem declarar os itens. Mais tarde, a existência de outros dois kits - com relógios, abotoaduras, caneta e mais peças - veio à tona.

Risco de prisão: suspeita de peculato. Ao confirmar a um repórter da CNN que incorporou o estojo de joias ao seu acervo pessoal, Bolsonaro pode ser indiciado por se apropriar de bens públicos. O presente deveria ser incorporado ao patrimônio da União, já que ele estava na condição de funcionário público. A pena vai de 2 a 12 anos de reclusão e mais multa.

8 de janeiro

Bolsonaro está incluído no rol de investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em apurações sobre os atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023, que terminaram com as sedes dos Três Poderes vandalizadas.

A PGR (Procuradoria-Geral da República) afirma que o ex-presidente incitou publicamente a prática de crimes ao publicar, no dia 10 de janeiro, um vídeo questionando as eleições de 2022. O post foi apagado no dia seguinte.

Apesar de ter sido feita após os atos, a publicação pode indicar atos relacionados do ex-presidente antes do dia 8 de janeiro, segundo os procuradores. Em depoimento, Bolsonaro alegou que fez o post acidentalmente, por estar sob efeito de morfina.

Os inquéritos sobre o caso abrangem os seguintes crimes: terrorismo, associação criminosa, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, ameaça e perseguição.

Risco de prisão: três crimes. Segundo a BBC, caso os investigadores encontrarem provas de que Bolsonaro estava envolvido no 8/1, ele pode ser enquadrado em três crimes, do artigo 286 do Código Penal e dos artigos 359-L e 359-M, por atentado contra o Estado Democrático de Direito.

Ação no TSE por abuso de poder

Bolsonaro também responde a uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que diz respeito às eleições do ano passado. Ajuizada pelo PDT, a ação investiga a suposta prática de abuso de poder político e de uso indevido dos meios de comunicação durante evento com embaixadores estrangeiros no Palácio da Alvorada, realizado em julho de 2022. Na ocasião, Bolsonaro questionou as urnas eletrônicas.

Também está incluída na investigação a minuta do decreto de estado de defesa, que seria destinada a um golpe de estado, encontrada na casa do ex-ministro da Justiça, Anderson Torres. Se for condenado, o ex-presidente ficará inelegível por oito anos.

O maior risco, neste caso, é de ser colocado como inelegível.

Genocídio indígena

O STF e o Tribunal Penal Internacional também investigam a possível responsabilidade de Bolsonaro em relação à tragédia envolvendo indígenas yanomamis.

No STF, o ministro Luís Roberto Barroso determinou que sejam coletados documentos relacionados à "absoluta insegurança dos povos indígenas envolvidos, bem como a ocorrência de ação ou omissão, parcial ou total, por parte de autoridades federais, agravando tal situação". A investigação abarca, ainda, a possível conivência do governo federal com o garimpo ilegal em áreas indígenas.

No Tribunal Penal Internacional correm seis denúncias contra o ex-presidente, incluindo crimes contra a humanidade. Além do genocídio indígena, as denúncias também tratam da omissão do governo e da disseminação de desinformação e negacionismo sobre a pandemia de covid-19.

Risco de prisão: condenação no tribunal de Haia. Segundo a jurista Sylvia Steiner, à BBC, a legislação brasileira não prevê crimes contra a humanidade. Um julgamento posterior depende de ação no Tribunal Penal Internacional. Ela aponta que os crimes podem render penas de até 30 anos ou prisão perpétua em casos extremos.

Mais inquéritos

Bolsonaro também é investigado em outros cinco inquéritos que tramitam no STF sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes. As apurações envolvem o vazamento de dados de investigação sigilosa da PF sobre um ataque cibernético ao TSE, a associação falsa entre a vacina contra a covid-19 e o risco de contrair o vírus da aids, a tentativa de interferência indevida na PF - denunciada pelo ex-ministro e agora senador Sergio Moro (União Brasil-PR) - e o vínculo com organizações para difusão de fake news sobre o processo eleitoral (milícias digitais e atos antidemocráticos).

*Com informações da Deutsche Welle.

 

Há quase 150 anos o roubo das joias da coroa que escandalizou o reinado de D. Pedro 2º é mimetizado pela família Bolsonaro


Bolsonaro tentou, bem no final de seu mandato, fazer com que o "rico presente" do príncipe saudita ficasse sob a guarda pessoal do casal. 

Reiteradas vezes a história revira, repete e vitimiza os atores envolvidos. Em se tratando de joias, então, o recado está dado: são objetos que carregam grande carga de simbolismo, e, não por coincidência, se associam facilmente ao brilho fugidio do poder. Por isso, já fizeram alguns dirigentes perderem a razão, a coroa, a faixa presidencial e, quase sempre, a moral. 

Na década de 1880, quando a monarquia brasileira sofria com os revezes daRevolta do Vintém” — causada pelo aumento na tarifa dos transportes públicos —, ocorreu um escândalo de grandes proporções, envolvendo os bens da realeza. O episódio ficou conhecido na época como "o caso do roubo das joias da coroa".

No dia 14 de março de 1882, a imperatriz Teresa Cristina — Teresa Cristina de Bourbon-Duas Sicílias, cognominada de "Mãe dos Brasileiros", esposa do imperador Dom Pedro II e Imperatriz Consorte do Brasil de 1842 até a Proclamação da República, em 1889 — participou de um baile comemorativo ao seu aniversário. Ao chegar em casa, depositou as joias no lugar de sempre — deixou-as aos cuidados de seu criado, nos aposentos privados no Paço Imperial de São Cristóvão. No entanto, logo no dia seguinte, notou-se o desaparecimento das mesmas; o que causou grande reboliço nas entranhas da corte, antes de ganhar as ruas do Rio de Janeiro.

A primeira notícia pública apareceu apenas em 19 de março de 1882, na "Gazeta de Notícias", com um título chamativo e em caixa alta: ROUBO NO PAÇO DE S. CRISTÓVÃO. O criado entrevistado alegou a seu favor que, por não ter a chave do cofre-forte do Paço, guardou a caixa com as joias dentro de um armário, em uma sala nos aposentos do imperador, enquanto Suas Majestades seguiam para Petrópolis.

Segundo ele, ainda, apenas no dia 18 "deu pelo arrombamento da porta da sala e do armário, que havia sido arrombado com uma pua e subtraída a caixa em que se achavam as joias".

A polícia foi notificada pelo próprio imperador, através do Ministro da Justiça — que emitiu o seguinte parecer: "Pendurada de um muro foi encontrada uma corda, como para indicar que por ali se dera a fuga do gatuno. Verificou-se, porém, que para tal não servira, pois era nova, não estava esticada, nem a hera que reveste o muro apresentava o menor vestígio de que por ela passasse alguém".

Era a famosa pista falsa, com o caso continuando no ritmo do suspense policial. Entretanto, quanto mais o tempo passava, mais a monarquia ia sendo desmoralizada, publicamente, e o roubo das joias da Imperatriz virava galhofa pública. Dizia-se que a realeza perdera o controle até mesmo de seus bens mais valiosos, que o Paço andava uma bagunça, e que os regentes estavam longe de se adequarem às suas funções oficiais. Para piorar, o povo se aproveitou de uma coincidência envolvendo os nomes dos envolvidos. O Chefe de Polícia da Corte chamava-se Trigo de Loureiro (Ovídio Fernandes Trigo de Loureiro). Já o chefe da investigação era o tenente Lírio. Por isso, ele foi logo apelidado de "Louro do Trigueiro", com direito a piada pronta e até mesmo meme de época: "Dá cá o pé, meu louro".

Para fazer de uma história longa um relato curto, apurou-se que o culpado era um certo Manuel Paiva, irmão de Pedro Paiva — o criado que detinha a chave do cofre do Paço. As joias foram então encontradas no quintal da casa de Manuel Paiva, em duas latas de bolachas que foram enterradas na lama. E mais comentários maldosos circularam, com os jornais dizendo que era a própria monarquia que se encontrava na lama.

Todavia, o que atiçou, ainda mais, a ira geral, e a vergonha alheia, foi o fato de D. Pedro II resolver, ao fim e ao cabo, não processar os ladrões. Aliás, frustrando expectativas, o imperador condecorou Trigo de Loureiro e o tenente Lírio, bem como mandou soltar Manuel Paiva.

Na verdade, a essas alturas, era segredo de Polichinelo que o tal do Paiva atuava nos bastidores da realeza, como alcoviteiro de D. Pedro II. Foi por isso que a mordomia imperial achou por bem abafar o caso até o limite do possível. Já a imprensa foi implacável; desestabilizando assim a monarquia”, lembra a historiadora e antropóloga, Lilia Schwarcz.

O caso do sumiço das joias da coroa ilumina os limites entre as esferas públicas e privadas na gestão dos bens públicos. É certo que numa monarquia esses são espaços políticos menos delimitados. Mas a pergunta que fica é a mesma: a quem pertencem as joias do Estado e quem é dono do seu destino? Resposta fácil: a própria União.

Há 141 anos, D. Pedro II sentiu o impacto do incidente na sua própria administração. Foi acusado pela imprensa de praticar contravenção, e sua gestão foi colocada seriamente em questão, talvez pela primeira vez. Não se pode dizer que tudo era previsível, mas o certo, porém, era que faltavam apenas nove anos para que a monarquia caísse de vez, por força de um golpe civil/ militar que eclodiu em novembro de 1889.

“Também não é difícil estabelecer paralelos entre esse episódio e o escândalo que agora envolve Michelle e Jair Bolosonaro e um valioso presente enviado pelo governo da Arábia Saudita, por ocasião da missão brasileira que esteve no Oriente Médio em outubro de 2021”, diz Schwarcz.

O escândalo da corte de D.pedro 2º está retratado em "As Joias da Coroa", novela escrita e publicada por Raul Pompeia em folhetim na Gazeta de Notícias, entre 30 de março e 1º de maio de 1882, e transformada em livro no ano seguinte.

Quase 150 anos depois, por intermédio do ex-ministro de Minas e Energia, dois pacotes contendo joias valiosas foram destinados para compor o acervo pessoal da família Bolsonaro, conforme mostrou um recibo oficial. Um deles correspondia a um conjunto de joias e relógio avaliados em R$ 16,5 milhões, e foi retido no aeroporto de Guarulhos, justamente quando o ministro e sua equipe desembarcaram no Brasil. Já o segundo pacote, incluía relógio, caneta, abotoaduras, anel e um tipo de rosário, todos da marca suíça de diamantes Chopard e eram supostamente destinados, também, à família Bolsonaro.

“A exemplo do que ocorreu nos idos de 1882, também o caso de 2023 demorou a ser revelado”, lembra a professora Lilia Schwarcz. Ao que tudo indica, foi apenas no último dia 29 de novembro, a praticamente um mês de Bolsonaro encerrar o mandato, que o assessor especial do Ministério de Minas e Energia entregou os itens ao Palácio do Planalto. Na versão do Ministério, eles estavam sob a guarda da pasta.

O episódio deve se alongar por mais alguns meses. Mas o que vai ficando certo e transparente é como o governo Bolsonaro tentou, bem no final de seu mandato, fazer com que o "rico presente" ficasse sob a guarda pessoal do casal.No entanto, conforme diz a lei, e o bom senso, qualquer objeto ganho em missão oficial, no Brasil ou no exterior, pertence à União.

“Nas redes sociais, tanto a ex-primeira-dama, como o ex-presidente, ambos fiéis a seus estilos midiáticos, tentaram minimizar e ironizar o caso. No entanto, se for correto que a história é boa para deixar lembretes - muitos deles desagradáveis -, o certo é que abafar episódios como esses só gera mais ruído e até tempestade”, afirma a historiadora.

Muitas vezes, governantes são pegos (caem ou são culpabilizados) por grandes e até pequenos erros e contravenções, deslizes que logo tomam proporções imperiais. D. Pedro saiu chamuscado do episódio, mas teve quase uma década pela frente. Já Bolsonaro não foi reeleito, e pode amargar as consequências legais de mais essa tentativa de golpe, nesse caso um desfalque nos cofres do Estado.

 

Governo Lula descarta revogaço imediato dos sigilos de 100 anos impostos por Bolsonaro

O ex-presidente do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômico), Vinícus Marques de Carvalho, agora indicado para assumir a Controladoria-Geral da União (Foto: Sérgio Lima/Folhapress) - Folhapress.

Medida em prol da transparência foi promessa de campanha do petista; para futuro CGU é preciso analisar caso a caso. 

Promessa de campanha do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a suspensão dos sigilos de 100 anos,  impostos pelo governo Jair Bolsonaro (PL), não será imediata. A retirada será gradual e analisada caso a caso, para que não se incorra em erros.

Esta é a indicação dada pelo futuro ministro da CGU (Controladoria Geral da União), Vinícius Carvalho, em conversas com interlocutores nos últimos dias.

Segundo Carvalho tem argumentado, a revogação em bloco contradiz o princípio da própria lei, que é o interesse público. Ele tem evitado se comprometer com um prazo.

Carvalho deve se reunir com a equipe do grupo setorial da transição que analisou os dados já na semana que vem, para avaliar a sugestão dos técnicos. Há uma preocupação em não desrespeitar a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados), que preserva informações pessoais.

Em uma primeira análise, segundo relatos, Carvalho tem dito que “Bolsonaro usou a LGPD como biombo para não expor informações de interesse público”. Durante a campanha nas eleições de 2022, Lula chegou a falar em revogaço dos sigilos de 100 anos decretados por Bolsonaro.

O presidente ainda em exercício, proibiu o acesso, por exemplo, ao seu cartão de vacinação, além de ter mantido em sigilo o processo disciplinar no Exército contra o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello e até o cachê pago pela Caixa Econômica Federal ao cantor Gustavo Lima, pela Mega da Virada em 2021.

 Promessa de campanha

‘Revogaço’: Lula pode revogar mais de 200 atos de Bolsonaro sem passar pelo Congresso

Lula poderia cancelar essas decisões nos primeiros dias do governo sem passar pelo Congresso Nacional, uma vez que Bolsonaro as baixou sem precisar do parlamento.  

Uma proposta de revogação de mais de 200 decretos e outras normas infralegais do governo Jair Bolsonaro foi entregue à presidente do PT, Gleisi Hoffmann, representando a equipe de transição do governo Lula, na quinta—feira (10). 

Em 192 páginas, o documento traz sugestões de anulação de atos do atual presidente em 20 áreas - desde os que facilitaram o acesso a armas e munições até a "boiada" que atropelou normas de proteção ambiental.

Chamada de "Revogaço", a pesquisa foi realizada pelas Fundações Lauro Campos e Marielle Franco, ligada ao PSOL, em parceria com a Fundação Rosa Luxemburgo. De acordo com seus representantes, que entregaram o documento à presidente do PT, Lula poderia cancelar essas decisões nos primeiros dias do governo sem passar pelo Congresso Nacional, uma vez que Bolsonaro as baixou sem precisar do parlamento. O deputado federal eleito, Guilherme Boulos (PSOL-SP), participou a reunião.

A proposta é baseada em um levantamento que analisou mais de 20 mil decretos, portarias, instruções normativas, resoluções e outras medidas editados pela gestão Jair Bolsonaro que, segundo os pesquisadores, desestruturaram o Estado e desmontaram preceitos da Constituição Federal de 1988.

As propostas cancelam decisões que enfraqueceram o combate à fome e reduziram a participação popular em instâncias governamentais, bem como a transparência em ações do Estado. E dificultaram o combate à violência contra a mulher e a efetivação dos direitos territoriais dos povos indígenas.

O cientista político Josué Medeiros, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e coordenador do Observatório Político e Eleitoral, que esteve à frente do levantamento, também destaca como revogável a permissão para a instalação de 200 escolas cívico-militares. Na sua avaliação, o decreto representa um "ataque à democracia" ao militarizar escolas.

Relatório fala em 'Método Bolsonaro de Destruição'

"Fizemos um diagnóstico muito consistente sobre o 'Método Bolsonaro de Destruição' e apontamos caminhos para começar a reverter esse processo. Além da equipe de transição, vamos apresentar o documento a parlamentares e movimentos sociais como forma de ajudar", afirmou Natalia Szermeta, presidente da Fundação Lauro Campos e Marielle Franco.

Tal método, segundo o relatório, "promove a asfixia material das estruturas do Estado, inviabiliza os seus sentidos públicos e universais previstos na Constituição de 1988, deslegitima junto à população a cidadania e legitima a violência e o autoritarismo", além de "desarticular as políticas públicas em todos os níveis e em todas as áreas em que atua o Estado brasileiro".

"Dois pontos chamam a atenção. Primeiro, o desmonte da institucionalidade brasileira na estrutura que cumpria direitos sociais ambientais, como o Incra, e dos direitos dos povos indígenas", afirma Jorge Pereira Filho, coordenador de projetos da Fundação Rosa Luxemburgo.

"Outro campo fundamental é a educação. Esse método bolsonarista, por um lado, zera recursos públicos e, por outro, transforma o direito em uma mercadoria. No orçamento de 2023, por exemplo, ele zera investimento na construção e na manutenção de creches e implementa um voucher para que a população possa comprar o serviço no mercado privado", completa.

 

Deputados 'mudam de cor' no TSE após regra que aumenta verba a partidos com candidatos negros

Imagem: Câmara dos Deputados/Instagram/Instagram/Câmara dos Deputados

Por enquanto, só as fotos. Deputados Professor Israel (PSB-DF), Heitor Freire (União Brasil-CE), José Rocha (União Brasil-BA) e Luís Miranda (Republicanos-DF) declararam-se em 2018 como brancos e agora se dizem pardos ao TSE.

 Um grupo de 33 deputados candidatos à reeleição mudou de cor ao disputar a eleição deste ano. Em 2018, eles se declararam brancos e, em 2022, se apresentaram à Justiça Eleitoral como pardos. A mudança vai impactar o financiamento da campanha e a entrega de recursos públicos para os partidos no próximo ano.

As legendas dividem o fundo eleitoral e o tempo de TV para propaganda de forma proporcional entre negros (pardos e pretos) e brancos. Se uma legenda tem 50% dos postulantes que se identificam dessa forma, por exemplo, metade dos recursos deve ser direcionada a essas candidaturas.

Outra regra, aprovada pelo Congresso em 2021, vai aumentar a quantidade de verba para partidos com candidatos negros que obtêm mais votos para deputado. A votação neste grupo vai contar em dobro na distribuição do Fundo Partidário e do fundo eleitoral até 2030.


Troca de cor e raça. “Isso pode, Arnaldo?”

Os deputados Professor Israel (PSB-DF); Heitor Freire (União Brasil-CE); José Rocha (União Brasil-BA) e Luís Miranda (Republicanos-DF), por exemplo, declararam-se em 2018 como brancos. Agora, registraram ser pardos. O advogado Cristiano Vilela, integrante da Comissão de Direito Eleitoral da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) em São Paulo, afirmou que a mudança na declaração pode significar uma autoaceitação do candidato ou mesmo uma estratégia que busca a obtenção de mais recursos. "Evidentemente, casos grotescos podem ser punidos com rigor", afirmou.


Freire atribuiu a declaração de branco em 2018 ao PSL, partido no qual concorreu naquela eleição. "Não é uma questão de cota, mas de descendência, e me orgulho disso", afirmou o parlamentar. Rocha também afirmou que a declaração da campanha atual diz respeito à sua característica. "Sou pardo mesmo, meu avô materno é descendente de escravo.".


Professor Israel declarou, por meio de assessoria de imprensa, que "é filho de mãe preta e pai branco, e por isso se classifica e se autodeclara como pardo".


Mudança total

Miranda mudou de "cor", de partido e até de Estado. Eleito pelo DEM do DF, agora concorre pelo Republicanos de São Paulo. "Me considero moreno. Moreno claro, mas moreno."



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Associação Brasileira de Juristas pela Democracia denuncia Bolsonaro em tribunal internacional  por crime contra a humanidade

Imagem: Timoneiro

Segundo Associação, Bolsonaro teve  ‘atitudes irresponsáveis' que, por ação ou omissão, diante da epidemia do coronavírus.  



A ABJD denunciou o presidente ao  (TPI) (Tribunal Penal Internacional) que tem sede na cidade de Haia, na Holanda.


A entidade com denominação Associação Brasileira de Juristas pela Democracia que iniciou suas atividades em julho de 2002, processando e julgando indivíduos acusados de crimes de genocídio, contra a humanidade e, também, delitos de guerra. Desde julho de 2018, o TPI, do qual o Brasil é signatário, processa e julga ainda crimes de agressão.

A ABJD justifica a denúncia alegando que o presidente comete ‘crime contra a humanidade’  ao adotar ‘atitudes irresponsáveis que, por ação ou omissão, colocam  a população em risco’ diante da epidemia do coronavírus, responsável pela Covid-19, que provoca  sintomas graves, com crises respiratórias  que podem matar.

"Se o presidente relata que o Covid-19 não é perigoso, muitos brasileiros assim o entenderão, e colocar-se-ão em risco próprio, de seus familiares e de todas as pessoas com as quais tiverem contato”, diz o documento assinado pelos juristas e apresentado ao TPI. “A tragédia pode ser incomensurável”, assevera. 

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Pesquisa Ipesp aponta que 62% dos eleitores desaprovam o governo Bolsonaro

Na Economia, 63% avaliaram que o governo está no caminho errado, 32% responderam que está no certo e 5% não sabem ou não responderam.


O governo do presidente Jair Bolsonaro (PL) tem desagradado 52% dos brasileiros, que avaliaram como ruim ou péssimo a atual gestão, como mostra a pesquisa Ipespe de maio, divulgada na sexta-feira (6/5). O percentual é ainda maior (62%) daqueles que desaprovam a atual gestão.

Enquanto 52% avaliaram como ruim ou péssimo, outros 31% responderam que está ótimo ou bom – mesma porcentagem que aparece na pesquisa como intenção de voto. 16% disseram que está regular e 1% não sabe ou não respondeu. Questionados se aprovam a gestão, 62% disseram que desaprovam a forma como o chefe do Executivo vem administrando o país e 35% concordam. Outros 3% não souberam ou não responderam. 

A pesquisa ainda mostrou que a percepção do governo pelos eleitores também pode ter relação com as notícias que saíram recentemente sobre o governo federal e o presidente, na mídia. Para eles, 50% observaram que foram mais desfavoráveis, 26% nem favoráveis ou desfavoráveis e 14% mais favoráveis. 10% não sabem ou não responderam.

Economia

O levantamento também apontou a percepção dos eleitores sobre a economia brasileira. 63% avaliaram que está no caminho errado, 32% responderam que está no caminho certo e 5% não sabem ou não responderam.

A chance de se manter no emprego nos próximos seis meses é muito grande para 65% dos participantes da pesquisa, 29% muito pequena e 2% responderam que ninguém na família está trabalhando. Outros 5% não sabem ou não responderam.

Já sobre a expectativa de endividamento nos próximos seis meses, 30% responderam que vai ficar como está, 27% disseram que vai aumentar muito e também 27% que vai diminuir. 13% apontaram que não têm dívida e 2% não responderam.

A percepção da inflação e dos preços dos produtos para 73% dos entrevistados é de que aumentaram muito nos últimos meses. 22% responderam que só aumentou, 2% disseram que ficou igual e 1% não sabe ou não respondeu.
 
Para os próximos meses, 42% acreditam que vai aumentar e 20% avaliam que deve aumentar muito. 21% responderam que deve ficar igual, 12% acreditam que vai diminuir e 1% que deve diminuir muito. 1% não soube responder.
 
A pesquisa foi realizada entre os dias 2 a 4 de maio de 2022 e contou com 1.000 entrevistados de 16 anos e mais de todas as regiões do país. Já a margem de erro é estimada em 3.2 pontos percentuais para mais ou para menos, com um intervalo de confiança de 95,5%. 

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